Lifestyle

Dono do tempo

Ex-piloto de Fórmula 1 e embaixador da Rolex, Mark Webber reflete sobre a relação de um piloto com o tempo dentro e fora das pistas.

por Artur Tavares 5 Nov 2018 11:00

O australiano Mark Webber sabe bem o que é viver sob o ponteiro do relógio. Piloto de Fórmula 1 em doze temporadas, ficou em terceiro lugar em três delas, sempre comandando um carro da Red Bull Racing, e ao lado de Sebastian Vettel. Embaixador da Rolex, ele fala nesta entrevista sobre o tempo, sua relação com a relojoaria, e com Interlagos, onde venceu em 2011, e se aposentou dois anos depois.

 

Carbono Uomo – Você teve uma longa carreira como piloto, onde cada milissegundo conta. Como era viver constantemente sobre pressão?
Mark Weber –
A pressão é algo que todo piloto aprende a lidar. Somos os competidores absolutos, que treinam para se manter calmos e internalizar a pressão, garantindo que nenhum sinal de fraqueza seja percebida por outros pilotos. Sir Jackie Stewart – que neste ano completa 50 anos como embaixador da Rolex, um marco fenomental – sempre fala sobre como é importante para um piloto controlar suas emoções e deixá-las completamente do lado de fora cockpit na hora da corrida.

 


Carbono – Mesmo na aposentadoria, você continua envolvido com esportes através da mídia e com outros trabalhos. Houve um período de transição onde você precisou aprender a lidar com o tempo sem essa precisão milimétrica?
Mark –
Tive a sorte de sair da Fórmula 1 e ir direto para as corridas de endurance, que participei por três temporadas. Inicialmente foi bastante desafiador, saindo de uma equipe bastante preparada, como a Red Bull Racing, para uma escuderia completamente nova. Mas o endurance foi uma grande experiência, especialmente pelos meus colegas e pelas relações sólidas que construímos, e que nos trouxeram um bom número de vitórias. Se eu tivesse que parar de correr após a Fórmula 1, teria sido um ajuste difícil, então esses três anos com a Porsche foram muito importantes. Olhando em retrocesso, foi uma benção eu ter tomado essa decisão, tanto pessoalmente quanto profissionalmente.

 

Mark Webber e Sir Jack Stewart, embaixadores da Rolex

 

 

Carbono – Quando olhamos para nosso mundo moderno, há uma noção de que não há mais tantas horas no dia. Estamos conectados, levamos nossos trabalhos para nossas casas, precisamos de tempo para cuidar de nós mesmos e de nossas famílias. Como você lida com essa rotina, e como você acha que esse tipo de “velocidade” afeta seu cotidiano?
Mark –
Aprendi uma grande lição durante minha carreira na velocidade, algo que reflete muito em minha vida pessoal. Como piloto, você descobre o verdadeiro significado de trabalho duro, adquire um enorme respeito às pessoas ao seu redor. E se torna profundamente resiliente. A resiliência é uma qualidade incrivelmente importante, algo que acredito que se traduziu em minha vida como um todo. Minha rotina ainda é ocupada, mas hoje em dia está muito mais sob meu controle. Tiro tempo para fazer minhas coisas, busco outros objetivos e novos horizontes, nunca fui alguém que se conforta com aquilo que já alcançou. A coisa mais importante, no entanto, é garantir tempo para si mesmo e para sua família.

 

Carbono – Você tem conselhos para quem precisa desacelerar um pouco, relaxar o corpo e a mente?
Mark – Acredito nos benefícios de estar cercado pela natureza. Passo muito tempo por aí, seja correndo, pedalando, andando com o cachorro ou nadando. Hoje, temos a tendência de depender fortemente da tecnologia, então é crucial desligar e desacelerar. É muito importante priorizar a si mesmo, cuidar do corpo e da mente.

 

Carbono – A Rolex está associada com a Fórmula 1 há muitos anos. Como você se tornou um Rolex Testimonee, um embaixador da marca? E o que significa isso?
Mark –
A Rolex tem como valores a alta performance, a inovação, a precisão e a excelência, todos valores alinhados com esportes motorizados de alta performance – sendo a Fórmula 1 a corrida com maiores avanços na área da engenharia em todo o mundo. As duas marcas são inspiradoras e têm apelo global, o que torna a ligação entre a Rolex e a Fórmula 1 muito autêntica e natural. É uma honra completa ser parte da família Rolex. A marca é um sinônimo mundial de precisão atemporal, sempre apoiando os mais dedicados e vencedores atletas, provando que o legado dessas pessoas é realmente global. Minhas funções como Rolex Testimonee envolvem falar sobre duas das minhas grandes paixões: os relógios e os esportes motorizados. É um privilégio.

 

O ex-piloto de F1 atua como Rolex Testimonee, aqui usando um modelo Oyster Perpetual Cosmograph Daytona

 

 

Carbono – O calendário da Fórmula 1 ainda dita sua agenda? Quais suas atuações durante os finais de semana em que as corridas acontecem?
Mark – Minha agenda pessoal é muito menos regulada pela Fórmula 1 hoje em dia, mas ainda vou a muitas das corridas durante a temporada, seja como embaixador da Rolex ou como comentarista televisivo. É maravilhoso ainda estar envolvido com o esporte que definiu minha carreira, e poder falar com tantas pessoas sobre ele.

 

Como os relógios Rolex fazem parte do seu dia a dia, seja no trabalho ou nos momentos de lazer? Você tem diferentes relógios para diferentes ocasiões? Quais são eles?
Mark – Sempre pratiquei muitos esportes, desde bastante jovem. Ser uma pessoa tão ativa, que gosta tanto de estar em contato com a natureza, traz a necessidade de um relógio para seu cotidiano. Ele precisa ser funcional, resiliente e confiável, tudo o que a Rolex é. As necessidades por confiabilidade e precisão completa são essenciais para um piloto, estamos sempre em busca da precisão. Um dos meus favoritos é o Rolex Cosmograph Daytona com a pulseira Oysterflex, que é esportivo e clássico ao mesmo tempo. O Daytona é o relógio absoluto para corredores. E, como australiano, também gosto muito da água. Por isso, o robusto Submariner também é um dos meus favoritos.

 

Carbono – Você se considera um colecionador? Tem algum Rolex raro?
Mark – Eu tenho uma bela coleção de Rolex, e com certeza me definiria como um apreciador. Cada Rolex que tenho é especial, guarda uma história única. Em 2009, por exemplo, celebrei minha primeira vitória em uma corrida, em Nürburgring, na Alemanha, me dando de presente um Rolex GMT-Master II – ele continua a me lembrar dessa vitória. Relógios são todos raros e muito pessoais, sempre significam muito para quem os usa.

 

Carbono – Você venceu o Grande Prêmio do Brasil em 2011. Qual a melhor estratégia para subir no pódio em São Paulo?
Mark – 
Interlagos é um dos circuitos mais desafiadores do calendário da Fórmula 1 devido à sua natureza desnivelada e montanhosa. O clima também é significante para a corrida, porque é bastante incerto. A pista demanda muito do carro e do piloto. Em termos de estratégia, a chave é administrar bem os pneus devido à rápida sequência de curvas, às cargas rápidas de energia e aos desníveis da pista, sempre de olho no tempo. Em 2011, Sebastian Vettel e eu garantimos nossa terceira dobradinha seguida pela Red Bull Racing naquela sequência final da temporada. Nosso ritmo foi fenomenal, e ninguém conseguiu nos acompanhar. A prova me garantiu o terceiro lugar na temporada, a frente de Fernando Alonso por apenas um ponto. Minha última corrida também foi no Brasil, em 2013. Terminei em segundo, mas fiz a melhor volta da corrida, e essa foi minha saída perfeita da Fórmula 1.

 

 

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.

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