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Representante da Gu Energy no Brasil apaixona-se pelo esporte de alta performance e roda o mundo dormindo em barracas e tomando banho em lagos gelados em competições que chegam a durar dias

1 Dez 2017 13:26

Por Lili Carneiro

Quem conversa com o sereno Paulo Serena, com o perdão do trocadilho, acha que ele é o cara mais boa-praça do mundo. E ele é. Rodeado de suas meninas – Paulo é casado com a nutricionista Roberta Frizzo e pai de Manuela e Julia –, está sempre de bem com a vida, com sorriso largo e gestos vagarosos. Mas é com um par de sapatilhas – ou botas – nos pés que seu eu interior aparece e chega a dar medo de ver Paulo treinando e competindo tamanho “sangue nos olhos”.

Amante de atividades físicas desde pequeno, Pi, como é chamado pelos amigos, já participou de provas de natação, judô, tênis, motocross e ski backcountry, mas foi no ciclismo que ele encontrou sua paixão – e também sua profissão. Após trabalhar por alguns anos na companhia familiar e em empresas como Citibank e Lan Professional, o empresário fundou, em 2003, ao lado do irmão Fernando, a Fepase Sports.

A trading, especializada na distribuição exclusiva de chancelas esportivas no Brasil, logo de cara conquistou marcas renomadas como KHS Bicycles e Lazer Helmets. Recentemente abriram um segmento de nutrição esportiva. Não demorou para ganharem a número 1 do mundo: GU ENERGY, marca americana conhecida por seus géis energéticos de máxima recuperação. Como distribuidor único da Gu no Brasil, Pi se viu impulsionado a participar de muitas competições de altíssima performance para testar o produto que passara a representar. Focou no ciclismo de longa distância, categoria que exige desempenho perfeito do corpo e leva, na falta de um GU, ao total esgotamento físico. Bastou para ele se apaixonar. “Sempre gostei de me desafiar fisicamente.” No começo do ano o esportista completou o Gran Fondo New York de Punta del Este, uma versão sobre rodas das maratonas de corrida. São 180 quilômetros ininterruptos disputados por mais de mil atletas. Inaugurada em 2010, a disputa ganhou tamanha proporção no mundo que já foi licenciada em 15 países. No Brasil a primeira edição acontecerá em agosto. “O percurso foi paradisíaco. Rodamos por estradas no interior do país, onde a cultura e as tradições ainda são muito preservadas.Concluí a prova em 5h22, percorrendo os 180 quilômetros e 1.900 metros de altimetria.” No momento Pi se prepara para a competição de mountain bike Transandes Challenge, que acontece na Cordilheira dos Andes. São cinco dias, 300 quilômetros de distância, 11.225 metros de subidas, dormindo em barracas ao pé do Vulcão Osorno, no Chile. Haja energia!

2009 – Nem a viagem de lua de mel escapou. Teve uma temporada romântica no Taiti, para agradar a esposa – onde Paulo mergulhou com tubarões em uma caravela naufragada a 50 metros de profundidade – e depois muito esporte no Deserto do Atacama, onde o incansável escalou o Vulcão Licancabur entre a Bolívia e o Chile, com cume a quase 6 mil metros de altura.

2010 – Chegou em quinto lugar na categoria Importadas acima de 450 cc no Rally dos Sertões, no qual percorreu de moto cinco estados brasileiros, rodando quase 6 mil quilômetros. “Fiz a inscrição antes de me casar, pois tinha certeza de que a Roberta iria tentar me impedir criando todos os tipos de empecilhos”, diverte-se.

2014 – Amante de esportes de natureza, Pi não pensou duas vezes quando um grupo de amigos corredores o chamou para completar uma dupla na participação do Cruce de los Andes, uma prova de trail running (corrida de montanha), com 102 quilômetros de distância – começa no Chile e termina na Argentina – a serem percorridos ao longo de três dias. “Dormíamos em barracas, tomávamos banho no lago gelado e comíamos churrasco e macarrão. Dos 102 quilômetros de prova, arrisco dizer que pegamos chuva em 80 deles no trajeto. Foi uma corrida muito pesada, mas extremamente gratificante. Ainda penso em voltar…”

2016 – “Rodei 50 quilômetros nos Andes chilenos do que arrisco dizer ser uma nova paixão: ski backcountry.” Esta modalidade consiste na independência total do esquiador nas montanhas. Não existe teleférico, trilhas demarcadas, tampouco restaurantes e lojinhas ao longo do caminho. Os praticantes precisam de um equipamento específico, como skis mais largos, bindings que soltam do calcanhar para caminhar em cima do ski, bastões leves e retráteis e mochilas em que caibam uma quantidade razoável de água e alimentos. “É muito parecido com o Cruce de los Andes, porém com skis nos pés e muita, muita neve.”