Lifestyle

Criatividade líquida

Para o CCO da F.Biz uma agência de publicidade precisa estar aberta a mudanças constantes e ter a capacidade de se adaptar a elas em períodos curtos

31 Jul 2017 00:28

Por Guilherme Jahara

Existe uma frase do grande filósofo pré-socrático Heráclito, conhecido como o pai da dialética, que diz o seguinte: “Nada é permanente, exceto a mudança”. Ouso afirmar que não apenas a mudança como também o tempo e a criatividade são voláteis. Afinal, quanto maior a criatividade, mais rápida é a mudança. E esse pensamento é a perfeita descrição de como deve ser uma agência de publicidade contemporânea: aberta a mudanças constantes e com a capacidade de se adaptar a elas em períodos curtos.

A indústria da comunicação vem apresentando esses sinais há anos. Os adivinhos do mercado já haviam previsto o que estava por vir. Não cabe aqui discorrer sobre quais foram essas inúmeras mudanças. Afinal, já foi. É passado. E tampouco vou arriscar a apontar quais serão as próximas transformações, pois elas também serão alteradas. E tudo isso porque evoluímos o que e como fazemos. Essencialmente, o nosso mercado faz chegar ao conhecimento das pessoas que certo produto ou serviço existe e é bom, além de ressaltar e enaltecer as suas qualidades perante o concorrente. Isso permanece inalterado. Porém, a forma como esse processo ocorre mudou de maneira bastante drástica. Novas tecnologias surgem a cada dia, ao passo que comportamentos humanos são moldados por essas tecnologias, que, por sua vez, são modificadas pelo nosso comportamento social, e assim por diante. É um círculo virtuoso de mudanças e evoluções. Consequentemente, as agências de publicidade estão cada vez mais emaranhadas em questões como a pulverização das mídias, o consumo de conteúdo, as novas plataformas, as diferentes formas de se produzir campanhas e as tecnologias e inovações que emergem todos os dias. São desafios difíceis e que geram ansiedade em nós, profissionais. Como lidar com isso? Como conectar os nossos consumidores às marcas se tudo tem mudado de maneira tão rápida? Bem, só tenho uma resposta para isso: mude junto.

A forma como estamos inseridos nesse ambiente e a maneira que nos vemos nele são, a meu ver, as grandes questões que temos de responder. As barreiras que encontraremos não serão quebradas com martelos. Acredito que não é derrubando muros que encontraremos, em meio a tantas possibilidades, o caminho certo para escaparmos desse labirinto, mas sim por meio da criatividade. Com ela não precisaremos quebrar muro algum. Imagine que a tecnologia é uma pedra. Logo, um material sólido. A criatividade, por sua vez, é a água em seu estado líquido. Ou seja, não tem forma e se adapta a qualquer recipiente. E, ao longo do trajeto das águas caudalosas de um rio, surgem pedras que, ao invés de bloquear o seu fluxo, adaptam-se ao seu curso e passam a fazer parte do seu formato. Graças a sua mutação e sua fluidez, a criatividade consegue se adaptar às adversidades, sejam elas novas tecnologias, novas mídias ou novas formas de se consumir.

Assim, as agências de publicidade de hoje têm como principal meta alimentar as nascentes dos seus rios para que nunca sequem. Não se assuste com as pedras que surgirem ao longo do seu curso, pois se o seu rio for caudaloso, ele vai absorver a pedra sem perder a sua fluidez. Por isso seja rio. Seja água. Seja líquido. Enfim, seja criativo.