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Check-in no empreendedorismo

A primeira empresa brasileira online de reserva de hotéis vem crescendo mês a mês e espera um faturamento de R$600 milhões em 2017

25 Out 2017 06:24

Por Julia Fregonese

João Ricardo Mendes, 36, sempre teve vontade de abrir um negócio na internet, especialmente depois de estudar sobre o online durante o tempo em que morou na Inglaterra, em 2001. De volta ao Brasil, convidou o irmão José Eduardo, 34, para fazer uma sociedade. Após as negativas de José, que trabalhava em uma loja de sapatos, João não teve dúvidas: ligou para a loja, fingiu ser um cliente insatisfeito com o atendimento do irmão, provocando sua demissão. Assim, os dois estavam livres para pensar em um plano de negócios.

Abriram, em 2006, a ApetreXo, e-commerce de eletrônicos, mas o negócio não foi para frente. Na época, José Eduardo, que fazia faculdade de administração de empresas, começou a estudar sobre o mercado de turismo online. Veio dele a ideia de criar, em 2011, o Hotel Urbano, uma plataforma de reserva de hotéis. A aposta deu tão certo que a empresa encerrou seu primeiro ano de vida com mais de R$1 milhão de faturamento. Os irmãos atribuem o sucesso ao fato de que na época não existiam plataformas brasileiras focadas em hotel, apenas em passagens aéreas e pacotes de viagem. Além disso, eles tinham no desenvolvimento de tecnologia o grande diferencial da empresa.

Hoje, os números seguem impressionando: receita de R$500 milhões, que provém de uma taxa cobrada pelas diárias fechadas pela plataforma; 18 milhões de usuários ativos; e 8 mil hotéis cadastrados no Brasil, número que aumentará expressivamente a partir deste mês, quando a plataforma passará a contar com 302 mil hotéis integrados no exterior por meio de pacotes de viagens. Com esse aumento, a expectativa é finalizar o ano faturando, pelo menos, R$100 milhões a mais.

Em 2015, o Hotel Urbano sofreu uma oferta hostil. Os fundos acionistas Insight Venture, Tiger Global e Priceline tomaram o controle e os irmãos foram obrigados a se retirar. Conseguiram assumir o comando novamente no final do ano passado, com condições que estão sob contrato de confidencialidade. “O HU foi muito afetado pela mudança de gestão. A gente perdeu muita gente boa”, avalia João Ricardo. Por isso, atualmente, a empresa está investindo em pessoas, mantendo vagas abertas para novos funcionários em todas as áreas e um programa de estágio no qual os selecionados respondem diretamente aos fundadores.

Ao ocupar o cargo de CEO da empresa, ele revela que um de seus maiores medos é que seu crescimento profissional não seja tão acelerado quanto o crescimento da empresa. “Se você me perguntar se eu estava preparado para ser CEO nos três primeiros anos, eu ia dizer que sim. Mas a partir do quarto, já não estava tão certo disso”, revela João Ricardo. Luca Atalla, 43, amigo do fundador, conta que o conheceu na academia de jiu-jítsu Gracie Barra quando eram adolescentes e que sempre foi um esportista dedicado e habilidoso. “Ele hoje é um empresário de tecnologia completo, que entende o que é necessário para um negócio. Mas em termos de atitude eu vejo o mesmo adolescente que buscava a técnica e dedicação para vencer no jiu-jítsu”, diz. Na sede do Hotel Urbano, no Rio de Janeiro, João Ricardo transita entre as diversas áreas, como marketing e performance, e está voltando para casa mais cedo do que no início da empresa, quando estava muito absorvido pela operação e saía depois das 10 horas da noite. Possui uma meta de praticar esportes todos os dias, seja pular corda, correr ou fazer um curso de apneia, o que ainda não consegue cumprir devido à demanda de trabalho.