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Brincadeira Rara

A coleção de trem é o segundo hobby mais popular do mundo. Conheça a história da maior reunião dessas peças do Brasil, que possui exemplares únicos no mundo.

por Gabriel Bordin 11 Nov 2016 17:50

Viajar no tempo ainda é assunto de ficção. Pelo menos para quem não pode ter um tesouro como esse que você na foto acima. Considerada a maior da América do Sul e com valor calculado em US$ 1 milhão, essa coleção de trem em miniatura não pode ter seu proprietário nem sua localização reveladas. Ok, trato é trato. Mas podemos contar que ela fica no Brasil, como foi criada e que não é apenas para olhar – os trenzinhos realmente funcionam.

O acervo, que começou com um modelo Lionel (fabricante americano fundado em 1907) número 2018 no início da década de 1980, se transformou em uma rara coleção com aproximadamente duas mil peças, que ficam divididas em duas cidades diferentes – todas em perfeito estado. Como um bom colecionador apaixonado, o dono dos trens se lembra de todos, como se os 30 anos de coleção tivessem acontecido em 24 horas.

As miniaturas não são apenas peças de mostruário, elas ganham vida quando colocadas em duas maquetes – que também fazem parte da coleção, já que prédios, estações e pontes, por exemplo, também são vintage e colecionáveis – construídas especialmente para operar os trens. Simulando uma ferrovia que percorre cidades, com direito a túneis e montanhas, as maquetes ficam em locais distintos: uma com aproximadamente 10 metros quadrados e outra com cerca de 110 metros quadrados. “Não basta simplesmente montar uma maquete. É preciso criar um projeto, pensar as peças de um mesmo período histórico. Depois, começa um longo processo de criação, que, no meu caso necessitou de três meses para a menor e oito para a maior”, diz ele.

A coleção é composta por peças fabricadas entre 1900 e 1969. Segundo o proprietário, as produções criadas após essa data não possuem caráter colecionável. “Depois de 1969 houve uma revolução. A Lionel, por exemplo, fez um downgrade. Antes era tudo pintado à mão e, na maioria das vezes, feito em latão. Era um trabalho insano produzir essas peças”, conta. A maior parte das peças da coleção é da norte-americana Lionel, que continua a produzir trens em miniatura.

Para encontrar uma locomotiva, um prédio, ou peças de reposição, o colecionador conta que existem feiras e comunidades específicas. “Uma feira em York, na Pensilvânia (EUA), reúne 40 mil pessoas para comercializar esses objetos, mas é necessário ter paciência se quiser algo específico. Quando preciso de uma peça de reposição, eu divulgo nas comunidades e, às vezes, espero dois, três anos até alguém aparecer com o que eu quero”, explica.

Uma coleção como essa parece completa para leigos, mas não para seu dono. Ele pretende continuar a ampliá-la, com peças cada vez mais raras e únicas. Uma viagem histórica que só terá um ponto final quando ele já não estiver mais aqui, neste tempo.

Confira a galeria abaixo sobre a coleção:

Gabriel Bordin

Surfista de feriado e aficionado por motos. Jornalista porque acredita que é a melhor forma de se dissipar uma ideia e lifestyle. Guarda um amor incondicional por fotografia e produção de vídeos, acreditando que cada pequeno detalhe capturado é responsável pela composição do significado final de uma obra.