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Beleza Natural

Com lançamento recente e destaque meteórico nas semanas de moda do Brasil, a Simple Organic produz cosméticos orgânicos e sem gênero para uma nova geração de consumidores

8 Dez 2017 11:21

A edição de verão deste ano da São Paulo Fashion Week, realizada no último mês de março, foi chacoalhada não por inovações em cortes ou tecidos apresentados nas passarelas, mas pela estreia da Simple Organic. Criada pela jornalista e empresária catarinense Patrícia Lima, a marca de cosméticos aposta em maquiagens e produtos de beleza orgânicos e ungender, feitos apenas com frutos, folhas, sementes e minerais das florestas brasileiras.

Depois de brilhar nos modelos da À La Garçonne, de Alexandre Herchcovitch, a Simple Organic já é vendida em São Paulo e utilizada nos spas do Hotel Renaissance – também na capital paulista – e no Grande Hotel Ronaldo Fraga, em Minas Gerais. Editora da revista dedicada à moda Catarina, Patrícia decidiu entrar para o mundo da slow beauty e dos orgânicos após o nascimento de sua primeira filha, Maya, há quatro anos. A maternidade fez com que ela refletisse sobre o mundo que a cercava: “O legado de valores e ensino que gostaria de deixar para ela já não era o que preconizava o mundo fashion. Passei a me questionar sobre o meu papel para um mundo melhor e dentro desse questionamento surgiu a ideia de mesclar algo que trouxesse o know-how em comunicação, de pesquisa de tendência, mas em um novo caminho”, conta a empresária. “Foi aí que encontrei o caminho da slow beauty, da beleza mais leve, natural, orgânica. Ela se preocupa com a valorização da beleza real, o cuidado com o meio ambiente, o mundo, com si próprio e em não usar substâncias químicas que fazem mal.”

A partir desse ponto de virada, Patrícia mudou não somente seus hábitos de beleza, como deixar de usar maquiagens com químicas nocivas, mas também parou de imprimir a Catarina, que hoje só chega fisicamente aos leitores que exigem a publicação sob demanda. Foi buscar nas marcas de beleza indie da Califórnia a maneira de produzir cosméticos orgânicos: “Lá, os produtos são elaborados com fórmulas simples, prezam o bem-estar, promovem a paz consigo mesmo, trabalham mais com o interior, pensando na beleza através da saúde”.

Entre os produtos que a Simple Organic oferece em sua linha ungender estão hidratantes de frutas como abacate, jabuticaba, lichia e melão, além de sabonetes produzidos com grãos como aveia e arroz. As fórmulas são muito mais complexas: “Entre nossos ingredientes ativos estão óleos de coco, babaçu, jojoba, castanha-do-brasil, sementes de maracujá, uva e girassol, óleo essencial de capim-limão, cera de carnaúba, extratos de açafrão da terra, espinafre, sálvia, camomila e aloe vera, manteigas de murumuru, pracaxi, cupuaçu, cacau, ucuuba, bacuri”. Devido à biodiversidade tão rica do Brasil, a empresária acredita que hoje já é possível viver consumindo apenas produtos orgânicos, embora ressalte que trata-se de uma escolha individual: “Sou muito a favor da liberdade de escolha, de não ser radical, buscar aquilo que te faz bem. Consumo o máximo de alimentos orgânicos e esse hábito veio depois que fui mãe. Passei a me preocupar muito mais com o bem-estar da minha filha. Vejo que isso é bem comum entre novos pais. Aos 4 anos, a Maya tem total consciência do que tem que comer para ser saudável. Ela sabe o que faz mal, mas é uma criança como qualquer outra e come várias coisas, já que eu não a privo. Eu luto para que os hábitos do dia a dia sejam muito saudáveis”.

Os produtos da Simple Organic são desenvolvidos no Brasil, mas fabricados em Milão. Além de ser completamente orgânica, a linha não promove testes em animais. “Acredito que não seja necessário realizar testes em animais quando há uma evolução da tecnologia a ponto de ter novas opções. A Simple realiza diversos testes, como de estabilidade, dermatológico, microbiológico, tanto no Brasil quanto na Itália, seguindo esse preceito. É um processo sem volta. Acredito que a indústria mundial vai deixar de fazer testes em animais porque a pressão social sobre essas empresas vai ficar cada vez mais forte e, como há alternativas, elas serão obrigadas a buscar saídas, pois não haverá justificativa para esse tipo de crueldade.”

Patrícia alerta, no entanto, para uma prática chamada greenwashing: “Eu ainda vejo muito essa história do marketing verde que não é verdadeiro, que é muito mais um discurso de vender a sustentabilidade e a saúde, a beleza natural sem ser beleza natural. E estamos falando dos grandes players do mercado. Esse esforço que se vê acontecendo ainda não é tão verdadeiro como deveria ser. Já observamos uma mudança de comportamento nas gerações atuais, a Y, por exemplo, que busca muito mais essa informação da origem desse produto. Esse consumidor quer agregar valor ao que realmente tem significado para a sociedade e o planeta. As grandes indústrias ficarão acuadas com as próximas gerações. A geração Z não vai mais se adaptar ao processo de fabricação de indústrias que poluem. Mas os grandes players só vão mudar na raiz e no seu DNA quando sentirem essa exigência em sua totalidade”.

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