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A revolução da Mude

Conheça a história da Mude, empresa de tecnologia e mobiliário esportivo que começou fabricando estações de ginástica em um galpão no subúrbio do Rio e, hoje, fatura cerca de R$ 13 milhões.

por Fabiano Mazzei 1 Abr 2019 05:47

Em um ambiente de negócios desafiador e instável como o brasileiro, ver empresas trocarem de rota e de modelo de atuação não chega a ser raro. Afinal, reinventar-se é preciso para se adequar a uma realidade tão mutante. Neste sentido, a empresa carioca Mude e seu fundador, o empresário Marcus Moraes, são exemplos cristalinos de que a mudança é mais do que positiva no caminho da evolução.
O carioca Marcus Moraes, 44 anos, é formado em engenharia de produção, mas trabalhou com marketing, foi sócio de boate e, enfim, criou uma marca visionária, que une bem-estar e ocupação de espaços públicos. A carioca Mude nasceu em 2002, em um modesto galpão, fabricando equipamentos de ginástica para uso outdoor e com um capital de R$ 15 mil – dinheiro usado para imprimir apenas o material promocional. Hoje, a empresa fatura R$ 13 milhões (2018), tem mais de 100 academias montadas e 550 estações de alongamento instaladas no Brasil. Neste ano, deve abrir escritório em Nova York e fincar a sua bandeira onde toda a inspiração do negócio começou: em Venice Beach, na Califórnia.
Um e outro, cases consagrados de transformação. Para entender melhor e contar essa incrível história de transformação em detalhes, Carbono Uomo conversou com Marcus Moraes, em uma breve passagem sua por São Paulo. Dias depois, ele embarcaria para Houston, no Texas, onde a Mude foi solicitada a participar de um projeto imobiliário que visa melhorar a qualidade de vida dos moradores de condomínios de alto padrão por meio da prática esportiva. Dessa forma, a Mude ajudaria aos incorporadores faturarem mais, cobrando mais alto pelos imóveis.

 

Carbono Uomo – Como surgiu a ideia da Mude?
Marcus Moraes – Foi durante um campeonato panamericano de jiu-jitsu que eu participei em 1996, em Venice, Califórnia. Ali conheci a famosa praia de Muscle Beach e fiquei admirado com a quantidade de turistas que ficavam ali, tirando foto dos caras treinando. Voltei ao Rio e ofereci ao dono da academia onde eu treinava um projeto semelhante, ao ar livre, com aparelhos feitos em aço inox.

 

 

Carbono – E quando a primeira academia dessa foi aberta?
Marcus – O primeiro projeto foi em 1998, um piloto com a federação de esportes de praia, em Ipanema, e foi um sucesso. Mas parou aí, por questões burocráticas. Só retomei o projeto em 2002.

 

Carbono – E o que fez neste intervalo?
Marcus – Tudo (risos). Fui trabalhar com marketing, atendi até a orquestra filarmônica do Rio e fui sócio na boate People, em Copacabana. Mas, depois da reinauguração da casa, no fim do ano 2001, mesmo estando no auge, as confusões frequentes e a vida noturna me fizeram vender a minha parte na sociedade. Queria investir de novo no projeto das academias. Foi quando abri a Mude.

 

Carbono – Quanto investiu na abertura do negócio?
Marcus – Foram R$ 15 mil, quase tudo para imprimir mil cópias de um book com 20 páginas onde tinham as fotos da primeira academia que fiz, em 1998. Mandei fazer o livro na gráfica mais cara da cidade e fui bater na porta de prefeituras e empresas. O livro ficou tão bonito que as pessoas viam e achavam que eu tinha uma empresa enorme! Que nada (risos). Era um galpãozinho onde fabricava os equipamentos de academia, com um serralheiro, um soldador e eu, só.

 

 

Carbono – E como aconteceu a virada do negócio?
Marcus – A partir de 2005, eu passei a fazer projetos com patrocínio, o primeiro deles com a Amil (planos de saúde). Era todo verão, nas praias de Ipanema e da Barra. Isso foi me dando uma recorrência de receita que permitiu um planejamento da empresa. Fomos crescendo aos poucos, passei a ter muitos clientes pelo interior do Rio como prefeituras, que compravam os equipamentos. Em 2009, eu criei as estações de alongamento e ginástica – um mobiliário urbano com fins desportivos, que não existia no mundo.

 

Carbono – Com o tempo, a própria Mude mudou o seu modelo de negócio. Como foi isso?
Marcus – Em 2011, quando consegui aprovar com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o primeiro projeto com as estações, baseado na lei de incentivo ao esporte, a empresa mudou o modelo de negócio. Com a inclusão da publicidade nas estações, passamos a ser também uma empresa de mídia.
Seis anos depois, lançamos o nosso aplicativo em parceria com uma empresa americana, onde oferecíamos o agendamento das aulas e outros serviços digitais, o que nos tornou um player de tecnologia também. Foram 60 mil downloads em um ano e meio.
Agora, em 2018, trouxemos um especialista em user experience, André Braz, ex-Globo.com, para desenvolver uma evolução do app, com mais serviços ao usuário e um melhor diálogo dos patrocinadores com o cliente final. Nossa expectativa é alcançar 500 mil downloads do novo app em um ano.

 

 

Carbono – Para onde vai a Mude agora?
Marcus – Para o mundo. A ideia é levar as academias para Nova York, onde abriremos escritório; Miami, onde já temos nossos equipamentos; e mesmo para a Califórnia. O curioso é que fomos chamados pela prefeitura de Venice para reformar, neste ano, toda a academia da lendária Muscle Beach, lugar onde tudo começou para mim. É uma emoção muito grande.
Vamos investir também na migração da empresa do B2B para o modelo B2C, onde a relação com o cliente final será o foco central das estratégias. E estamos desenvolvendo inteligência artificial para instalar nas academias e estações, com câmeras e telas que ajudem o usuário a corrigir a postura em um determinado exercício, por exemplo. É uma espécie de coaching digital.

 

Carbono – E para onde vai o Marcus agora?
Marcus – Vou para Houston nos próximos dias. Uma incorporadora de lá, que constroi condomínios fechados de alto padrão, como Alphaville, me chamou para uma reunião onde querem entender como a Mude pode valorizar o metro quadrado dos empreendimentos. Eles avaliam que, ao proporem um estilo de vida mais saudável com as nossas estações, farão os moradores dos condomínios mais felizes, gerando um aumento da procura pelas casas e, portanto, tornando o preço delas mais caro. No mais, é continuar a divulgar o nosso propósito que é trazer as pessoas para a rua, ocupando as cidades. Em nosso manifesto a gente diz: a vida acontece entre os prédios, não dentro deles. www.mude.fit

 

Estação de exercícios da Mude na praia da Barra, no Rio: mais de 500 em todo o País

 

 

Fabiano Mazzei

Jornalista especializado na cobertura do mercado de luxo mundial, ele é também consultor de comunicação para empresas e gestor digital da plataforma Carbono Uomo.

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