Lifestyle

33e34: uma ideia que veio dos pés

A partir de uma dificuldade pessoal, a empreendedora Tania Gomes encontrou uma solução para o problema de 5 milhões de brasileiras

7 Nov 2017 11:18

Por Bárbara Gil

Às vésperas de um Réveillon, a administradora Tania Gomes vivia momentos de stress. Tudo o que precisava era de um sapato que servisse em seus pequenos pés, mas as seis horas que passou rodando em um shopping não foram suficientes para que ela encontrasse o que procurava. Acabou levando um calçado da seção infantil e prometeu a si mesma que não passaria mais por isso. Pouco tempo depois, em janeiro de 2015, ela criava a 33e34, única empresa brasileira a comercializar apenas calçados nessas numerações.

Formada em administração de empresas e com passagem por grandes companhias, como Minancora, Renault e Nissan, Tania usou sua experiência para idealizar o negócio. “Fiz uma pesquisa de mercado na indústria calçadista e descobri que apenas 3% dos sapatos produzidos eram nas numerações 33/34. Já o número de mulheres que precisam deles é de aproximadamente 5 milhões.” No início, foi difícil convencer as indústrias a quebrarem a distribuição, que normalmente é feita em pacotes dos números 33 ao 39. “Aos poucos, fomos estabelecendo relações comerciais e hoje são as marcas que me procuram”, conta. Além da marca própria, a empresa conta com grandes nomes no estoque, como Vizzano, Raphaella Booz e Luiza Barcelos. Para arcar com os custos iniciais, a 33e34 contou com a ajuda de investidores anjo, como Fábio Póvoa, ex-sócio da Movile, líder global em desenvolvimento de aplicativos e jogos educativos. Desde então, o aporte recebido foi de R$800 mil, distribuídos em três rodadas.

Quem conhece bem a Tania diz que a determinação da empreendedora foi fundamental para que a empresa se firmasse no mercado. “Ela é incansável, quer o tempo todo fazer com que a 33e34 seja melhor, não só em termos de faturamento, mas também oferecendo produtos confortáveis e elegantes para as mulheres que calçam pequenas numerações. Ela empodera pelo sapato!”, afirma Renata Leal, amiga de Tania e criadora da plataforma de empoderamento feminino Mulheres Ágeis.

A 33e34 possui quatro funcionários e uma loja física, na Avenida das Nações Unidas, em São Paulo. Além de Tania, mais três sócios se encarregam do negócio: seu marido, Tiago Luz, 37, head de mídia; Luiz Pavão, 35, responsável pela área de logística da distribuição; e Rodrigo Krey, 28, que atua nas áreas de relacionamento com a indústria e auxilia no setor de compras. Com uma expectativa de crescimento entre 60% e 70% em relação a 2016, um dos planos é aumentar a rede física e atuar em outras regiões. Segundo Tania, o ambiente proporciona às clientes uma experiência sensorial importante. “Pela primeira vez, mulheres que sempre tiveram dificuldades para encontrar sapatos em sua numeração entram em uma loja repleta desses produtos.”

A maior parte das vendas, porém, acontece pelo e-commerce, que tem aproximadamente 100 mil visualizações por mês. Como todo empreendedor, Tania também tem suas lições. Uma delas é o fim das entregas e-Sedex pelos Correios. A mudança tende a encarecer o frete de seus produtos e dificultar as vendas. “Por enquanto, nossos preços de entrega não subiram, mas o atendimento com prazo a todas as cidades do Brasil está passando por transformações”, diz.

Para manter os negócios funcionando, Tania não trabalha menos de 12 horas por dia. Apesar da rotina corrida, não deixa de lado os seus hobbies. Quase todas as noites, lá pelas 10 ou 11 horas, ainda encontra energia para correr. “É importante ter tempo para a vida pessoal, do contrário perdemos contato com atividades que ajudam a manter a criatividade.”