Gastronomia

De volta ao lar

Com o restaurante Cepa, chef Lucas Dante e sommelière Gabrielli Fleming levam boa cozinha ao bairro onde nasceram, o Tatuapé.

por Artur Tavares 12 Abr 2019 09:00

São Paulo é uma cidade muito grande, e muitas vezes nos esquecemos disso. Vivemos nos bairros centrais, onde trabalhamos, fazemos nossas compras, procuramos diversão. Com um estilo de vida cada vez mais veloz, nos deixamos de ir a restaurantes como um programa e, assim, não saímos das chamadas bolhas procurando passeios em outros lugares. Se Pinheiros hoje é cool, poucas vezes vamos até a Vila Medeiros para uma tarde no Mocotó, ou, ainda mais perto, à Mooca, onde há a deliciosa Hospedaria. Com a abertura do Cepa, o Tatuapé, também nem tão longe assim, ganha um hotspot gastronômico de qualidade, de ambiente aconchegante e comida descomplicada, mas muito criativa.

 

Curados, coppa, pancetta, papada e lardo

 

Depois de passarem pela Osteria del Pettirosso por cinco anos e ajudar na cozinha da Hospedaria, o casal Lucas Dante e Gabrielli Fleming decidiram que era hora de voltar para o bairro onde nasceram. Seguros de que tinham experiência para criar algo valioso e verdadeiramente único, encontraram uma casinha simpática para o Cepa. Eles fazem um pouco de tudo por lá, dos pães aos embutidos e antepastos que chegam nas entradas, e ainda contam com ótimos fornecedores de carnes e pescados – estes sempre variam, chegam diariamente direto de um distribuidor exclusivo. “Não conseguimos ver desvantagens em estar no Tatuapé. Somos daqui, sabemos da carência por lugares com o nosso conceito”, explica Dante. “A única dificuldade é chegar até essas pessoas, que cruzam a cidade para ter acesso ao que agora podemos proporcionar a elas”, ele nos contou na semana em que o restaurante abria.

 

Dianteiro de angus, feijão branco no jerez

 

Ser um negócio familiar e estar afastado do hype traz vantagens para o Cepa, a principal delas o preço atrativo que o casal consegue oferecer. Outra é fugir do padrão estabelecido hoje nos restaurantes paulistanos, em que as criações autorais do bar muitas vezes confundem o cliente na hora da harmonização. Fleming optou por manter uma carta de drinks clássica, mas ter uma carta de vinhos criativa, com opções inusitadas dos brancos até os vinhos de sobremesa – nós provamos uma deliciosa garrafa feita em São Roque, no interior paulistano, conhecida há 50 anos como a terra do vinho, mas que perdeu completamente sua qualidade até lá. É um achado da experiente sommelière: “Vinho é alimento. Gostamos de tratá-lo dessa forma, como parte da refeição, sem firulas, de uma maneira mais natural. É uma bebida que, muitas vezes, intimida as pessoas. Queremos quebrar esse paradigma”, ela diz. “A carta é volante, sempre atualizada com coisas novas, mas sempre com o foco em vinhos mais puros, com pouca interferência na vinificação e muita consciência na agricultura.”

 

Ambiente cool no Cepa, na Zona Leste de São Paulo

 

Dos pratos fixos no cardápio, o destaque é o dianteiro de angus com feijão branco no Jerez. Das experiências que Lucas faz na cozinha, você pode encontrar desde cupim até a barriga de porco, e crudos que vão do robalo ao olhete. Há opções diárias de pratos executivos no almoço, como o milanesa de porco e o penne ao funghi. “Estamos pesquisando e testando faz um bom tempo e sabemos que ainda temos muito a acrescentar. Fazemos testes diariamente, conversamos muito com os clientes para saber dos seus gostos. Somos muito inquietos, podemos e vamos evoluir muito mais.” Mesmo assim, ele completa, “a ideia é manter um cardápio enxuto para que possamos ter mais qualidade nas execuções. Cada prato demanda tempo longo de pré-preparação, por isso ter um cardápio reduzido faz com que possamos pensar melhor em cada um deles.”

 

Cepa
Rua Antonio Camardo, 895
Telefone: (11) 2096-0687
Aberto de segunda à sexta das 12h às 15h e das 19h às 22h30 (às sexta, até 23h). Aos sábados, das 12h às 16h e das 19h às 23h. Aos domingos, das 12h às 16h

 

 

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.

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