Gastronomia

Neko Sake – o saquê japonês feito para o Brasil

Por enquanto, saquê é encontrado apenas em pontos exclusivos de São Paulo

por Piti Vieira 23 Ago 2016 19:32

Água puríssima, arroz – de algumas das 200 variedades não comestíveis, especialmente cultivadas no Japão com esse propósito – e koji (levedura). Essa é a receita do Neko Sake, saquê produzido artesanalmente em Hokkaido, a segunda maior ilha do arquipélago japonês, ao norte do país, e que está sendo trazido ao Brasil por Kei Nakajima, japonesa nascida em Sapporo. O lançamento da bebida acontece hoje à noite, só para convidados, no mais novo rooftop do Centro de São Paulo – o restaurante Esther, que será inaugurado nesta quinta na cobertura do Ed. Esther, na Praça da República.

Kei resolveu trazer 16 mil litros da bebida em um contêiner, usando uma nova técnica de transporte, e fazer aqui o envase, para diminuir custos ao máximo, já que importar a bebida engarrafada elevaria o preço final. O Neko Sake usa garrafas de cerveja de 600 ml, e o rótulo foi desenhado por uma amiga designer italiana (com um gato, que além de ser o significado da palavra neko, também é o apelido de Kei). “Eu quis trazer uma bebida que agrade o paladar local, levemente seca e fresca, para ser tomada gelada, como os brasileiros gostam, já que aqui é um país quente, e também em coquetéis, como as saquerinhas”, diz Kei, que está há três meses no Brasil, mas já visitou o País algumas vezes. “Nenhuma companhia fez esse tipo de exportação no Japão e ninguém quis correr os riscos. Por isso, resolvi criar meu próprio rótulo. Trabalhei anos como consultora de marcas de saquê, ajudando-os a exportar a produção, e via produtores artesanais seculares fechando as portas por causa da queda da demanda (entre 10 e 15 fecham a cada ano)”. Além disso, segundo ela, o Brasil é um mercado potencial, com garrafas importadas caras demais e saquês nacionais feitos com outros ingredientes que não os originais e que nem seriam considerados saquê no Japão.

As garrafas do Neko Sake, que não tem conservantes ou qualquer aditivo (eles não são permitidos no Japão), custam cerca de R$ 70 e só podem ser compradas no menu-degustação do Un, de Tadashi Shiraishi, no Kosushi e nos restaurantes do sushiman Jun Sakamoto. O próximo passo é vender também em outros restaurantes e bares, e em supermercados e empórios. A venda pela internet, por enquanto, está descartada.