Gastronomia

Draco é o primeiro gim London Dry brasileiro premium

Bebida paulistana vai na contramão da onda de gins com sotaques nacionais

por Artur Tavares 25 Ago 2017 17:34

A onda de gins brasileiros tem um representante diferente. Enquanto marcas como Amázzoni e Arapuru são calcados em botânicos brasileiros, e o Virga tem cachaça em sua fórmula, o Draco é um London Dry da cabeça aos pés (ou do fundo da garrafa até a rolha). Com forte presença do zimbro e graduação alcoólica de 47%, a bebida é fruto das experiências de Rodrigo Marcusso, dono do restaurante paulistano Mr. Jerry.

“Todos os gins brasileiros falam a mesma língua, eles têm sotaque”, conta o empresário, que antes de abrir o Mr. Jerry foi barman na primeira encarnação da rede TGI Fridays no Brasil. “Meu parâmetro de gim sempre foi o London Dry. É um tipo que combina com qualquer coquetel. Se você fizer um dry martini, um gim tônica ou um Gibson de Draco, vai funcionar. Escolhi produzir assim para ter versatilidade na hora de trabalhar.”

A experiência com a produção do Draco começou em 2015, quando Rodrigo foi visitar destilarias handcrafted na Europa. “A moda havia explodido em Portugal e na Espanha, e eu queria me divertir com isso. Não tinha o menor cunho comercial. Quando voltei, comecei a produzir pequenos lotes. Isso tem mais de um ano. Os amigos foram experimentando, e a coisa cresceu de dentro para fora. Todo mundo que experimentava dizia que era bom, pedia para colocar para vender.”

Rodrigo Marcusso, a cabeça por trás do Draco

Apaixonado por gim desde antes da moda tomar conta dos bares brasileiros, Rodrigo passou a percorrer destilarias em busca de uma parceria. Arrendou uma parte da Sapucaia, que produz cachaça há mais de 80 anos, para iniciar seu negócio. Diferente do Arapuru e do Virga, a destilação não é feita nos alambiques da bebida mais tradicional do Brasil. “O nosso alambique é feito de aço inox para manter a neutralidade. Se você destilar em um alambique de cachaça, sem colocar nada dela, ainda assim vai ter traços porque o óleo de cana deixa o material impregnado.”

São sete botânicos na base do Draco, alguns deles bastante conhecidos para os fãs dos London Dry: cardamomo, raiz de angélica e alcaçuz. Há também coentro e sálvia, além de casca de limão e de tangerina. O álcool utilizado como base é feito de milho e sorgo, o que deixa a bebida mais adocicada. “A fábrica que montamos tem capacidade para produzir 30 mil litros por mês, mas hoje produzimos cerca de 1.500 litros por mês. A produção está escalonada, mas continua completamente artesanal. Ainda que cheguemos a 30 mil litros, não vai mudar. A diferença é que vão ter 20 caras trabalhando.”

Para comemorar um ano do Draco, Marcusso lança em breve uma edição limitada a 200 garrafas, destiladas em alambiques de vidro de 10 litros, semelhantes aos da produção de abissinto. “Vai ser um produto com cerca de 43.5% de graduação alcoólica, e botânicos diferentes. É o que chamamos de glass spirit, no qual não há alteração nenhuma de sabor. Isso porque alguns botânicos chegam a ter alteração de sabor em contato com o aço devido a oxidação.”

Além do Mr. Jerry, o Draco já pode ser experimentado em restaurantes e bares paulistanos como o G&T, Jamille, Più, Piccolo e Cór. Ele também está sendo vendido na rede St. Marche.

 

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.