Gastronomia

Cerveja artesanal com sotaque carioca

Conheça os principais rótulos feitos na Cidade Maravilhosa

16 Jan 2017 09:44

Por Rafael Bittencourt, especial para o The Summer Hunter

Até poucos anos atrás, beber cerveja no Brasil era um commodity. Pouco importava a procedência, a receita ou a marca em questão. O importante era o preço – e a quantidade. A cultura de se apreciar a bebida no país praticamente não existia – quem curtia, normalmente trazia suas garrafas em viagens internacionais. A falta de acesso a boas marcas gringas e a produção independente ainda era bastante incipiente. Consumir cerveja boa, com ingredientes de primeira e preço de vinho importado, era uma exceção.

Paralelamente a isso, a tendência global de uma nova geração querendo desenvolver produtos artesanais e fazer a diferença no mundo com seu trabalho fez com que muitos jovens criassem seu próprio negócio e se aventurassem em segmentos até então dominados pelas grandes indústrias, como foi o caso das novas cervejarias artesanais.

O Rio de Janeiro acabou entrando de cabeça nessa nova onda cervejeira e agora oferece inúmeros novos rótulos que aparecem a cada estação. Por isso, a melhor maneira de ficar por dentro do que vem surgindo de mais gostoso e surpreendente é frequentar feiras independentes focadas em novos produtores, que ocorrem aos finais de semana, como a Junta Local, focada em alimentos orgânicos e produtores locais; a diversificada Carioquíssima; O Cluster, que mesmo focado em moda, sempre abre espaço para novos mestres-cervejeiros; os eventos na Antiga Fábrica da Behring e no bucólico Parque dos Patins, na Lagoa.

O surgimento de tantas oportunidades para experimentar as novas cervejas só confirmam que elas já ganharam o gosto e espaço no lifestyle carioca e parecem ter chegado para ficar por muitos verões.

Um dos rótulos que merece destaque é a Praya, uma witbier com toque cítrico, levemente amargo, resultado da mistura de limão siciliano e coentro na receita. Uma cerveja perfeita para acompanhar pratos frios, como o ceviche.

Outra campeã de público é a Jeffrey, que traz dois estilos pensados exatamente para agradar o paladar carioca: a red pilsen, que tem receita original com malte alemão vermelho e um fermento checo de mais de 500 anos de cultivo, e a simpática witbier Niña, versátil e refrescante, com raspas de limão siciliano na receita.

Além desses rótulos comercializados, a cervejaria já desenvolveu mais de 40 receitas e testes, tudo no próprio bar/laboratório que fica na Rua Tubira 8C, no Leblon, onde também funciona uma galeria de arte.

A Hocus Pocus ganhou espaço e abriu um bar próprio na rua Dezenove de Fevereiro, 186, em Botafogo. Vem testando os limites do que pode ser feito com cerveja, por isso não se acanhe e experimente os quatro tipos disponíveis, em especial a hush, uma amber ale desenvolvida com o chef Rafa Costa e Silva do estrelado restaurante Lasai.

A lager Hija de Punta tem um romance digno de novela que conquistou muitos corações apaixonados por cerveja e que explica seu sabor único, resultado da fórmula com lúpulo australiano com toques de mel e grapefruit. Segundo sua história, o parrillero uruguaio Hector Estebán Gonzalo se apaixonou por uma australiana em Punta del Este que o abandonou, levando o enamorado Hector a eternizar o seu amor em forma de cerveja.
Independente da origem, proposta ou história, a verdade é que o cenário cervejeiro carioca vem surpreendendo a todos e ganhando cada vez mais adeptos, sejam eles apenas bons apreciadores, ou os futuros mestres-cervejeiros da cidade.

*Este post faz parte do especial do The Summer Hunter sobre o verão no Rio de Janeiro, patrocinado pela Air France.

 

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