Gastronomia

Alta Diversão

Em 2016 entraram em cena os rooftops – bares, restaurantes e baladas construídos no topo de edificações. Conversamos com empresários e descobrimos o que os levaram a investir nas alturas

por Artur Tavares 8 Jun 2017 11:40

Esther
Primeira construção modernista de São Paulo e lar de Di Cavalcanti, o Edifício Esther é um marco da arquitetura da cidade. Foi na cobertura do prédio na Praça da República que o cozinheiro francês Olivier Anquier viveu por anos até seu irmão Pierre chegar da Europa para ficar. Decididos a abrir um restaurante em sociedade, o irmão mais velho se mudou do imóvel para eles montarem ali o Esther, onde a culinária francesa é a estrela. São pratos tradicionais, mas com preços relativamente menores de seus concorrentes. A carta de drinques é moderna. O mojito, por exemplo, vem com espuma de frutas e é decorado com pirulitos, canudos de chocolate e confete. Para Pierre Anquier, o Esther deve ajudar na revitalização da área da República, já que, assim como aconteceu no bairro parisiense de Saint-Martin, a renovação começou pela gastronomia. “Tenho a impressão de que abrimos um novo ponto turístico. Muita gente sobe aqui só para tirar fotos e tomar um drinque”, diz ele. /Esther-Rooftop

Highline Bar
Inaugurado em maio deste ano pelos irmãos Renato e Leo Cury, o bar e restaurante com vista para o bairro da Vila Madalena foi inspirado no Highline, parque suspenso de mesmo nome em Manhattan. “Fui a Nova York procurar novas tendências, porque o mercado daqui estava parado. Visitei diversos lugares, entre eles alguns rooftops. Mas, enquanto caminhava pelo Highline, pensei em implantar a ideia do parque na cidade. Foi na época dos primeiros projetos para transformar o Minhocão. Já havia aquela pegada mais cool, com tendências de rua. Como isso não foi concretizado, decidi ser pioneiro e trazer logo o conceito para cá”, diz Renato. De volta ao Brasil, ele encontrou o ponto no número 144 da Rua Girassol, e logo se apaixonou. Contratou arquitetos, desenvolveu um projeto, apresentou para o dono, que prontamente concordou em levar abaixo a antiga construção. “Conseguimos atender o público que quer comer, beber, dançar e ficar ao ar livre”. @highlinebar


Casa Mosquito

O morro Cantagalo-Pavão-Pavãozinho é lar do hotel butique Casa Mosquito. Com apenas oito quartos e serviço exclusivo, a hospedaria tem em seu topo o bar 222 – também o número em que ela fica, na rua Saint Romain. “De férias na cidade, reparei que havia espaço para um hotel de luxo personalizado na zona sul. Era algo que não existia. Foi uma busca de um ano até encontrar o lugar perfeito. Depois da pacificação, encontramos uma rua superlegal com o casarão, que compramos e reformamos”, conta Benjamin Cano Planès, natural de Tolouse, na França. O 222 tem vista 180º que vai do Morro Dois Irmãos ao Pão de Açúcar, e não atende apenas hóspedes da Casa Mosquito. Qualquer um que quiser desfrutar de um dia ali paga uma taxa de R$ 50 e tem acesso à piscina do rooftop. Serviços de bar e restaurantes são pagos à parte. Com uma área de 300 metros quadrados, o 222 recebe tardes de samba e até pool parties. “Não sou uma boate. Meu rooftop é mais elegante, um lounge. A música é sempre ambiente. E quando tem festa, não colocamos o som alto”, diz Planès. /casamosquitoipanema


Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.

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