Design

Um mundo de criatividade e inovação

A casa tranquila do Coletivo 1714 na Lapa esconde um universo empreendedor sempre em transformação

por Gabriel Bordin 22 Ago 2016 12:11
Raphael Barbosa, Paula Ramos, Marcelo Prado e André Moraes Barros. Crédito: Gabriel Bordin

Calma e silenciosa. Assim como muitas casas da Lapa, em São Paulo, essa não é muito diferente. Mas o sossego esconde uma realidade que não pode ser conhecida da rua, nem de frente ao grande portão cinza que esconde um mundo de criatividade e inovação dos desavisados que passam pelo endereço. Se a falta de barulho passa a ideia que ali nada acontece, o interior do Coletivo 1714, na Rua Aurélia, refuta essa possibilidade.

Não dá para falar do coletivo sem puxar o fio da história desde o começo, mais precisamente 2012, quando nasceu a Agência Memo, empresa de live marketing liderada por Marcelo Prado, André Moraes Barros, Raphael Barbosa e Paula Ramos. Trabalhando na ativação de marcas e lançamentos de produtos, os sócios queriam transmitir a mensagem da melhor forma possível, para deixar os clientes com as melhores recordações sobre cada campanha. Tal ideal é tão enraizado que dele surgiu o nome da empresa, derivado da palavra memorabilidade, que nada mais é que a qualidade que temos de guardar boas experiências na memória.

A memória, porém, é apenas uma parte da mente, e a mente criativa quando começa, não para. Após três anos e meio, olhando para os espaços vazios da casa que abrigava a Memo, Marcelo, André e Raphael sabiam que ali poderia nascer novos empreendimentos. O primeiro deles foi a House of Learning Lapa, um braço da House Pinheiros. Segundo Marcelo Prado, o espaço é destinado a cursos diversos e troca de conhecimento. “Todo mundo tem muito a ensinar e muito a aprender, então juntamos essas duas pontas e fizemos um espaço meio que aberto, que é  o propósito da House of Learning”, explica ele.

No local, os mais variados cursos são ministrados, de empreendedorismo, criatividade e alimentação saudável a lettering, caligrafia, arte em giz, estamparia manual para canecas, trabalho de marcenaria entre outros tipos. Na dúvida se há uma relação prática entre uma escola e uma agência de marketing, Prado não hesitou nem um pouco para dizer que tem tudo a ver. “Aqui, recebemos  jovens talentos que têm conexão, têm um algo a mais. As pessoas se cruzam. Nós acreditamos muito no poder na conexão, não só para gerar novos negócios, mas também novas amizades.”

Mas a mente criativa quando começa, não para. O espírito empreendedor dos amigos ainda queria mais. E por que não unir o desejo de novos negócios com o amor pela gastronomia? Do contato, e posteriormente parceria, com uma empresa de eventos gastronômicos surgiu o Núcleo Food. “Ali começou realmente a ideia do Coletivo e essa ideia veio de encontro a uma das coisas que a gente tinha e ainda tem o tesão de fazer”, explica Prado.

O Núcleo é, basicamente, outra agência, focada em curadoria de eventos gastronômicos. Marcelo explica que as ações desenvolvidas por eles não são para que as pessoas comam ou aprendam como em um workshop. Segundo ele, o intuito dos eventos é fazer com que as pessoas aproveitem o momento com entretenimento gastronômico.

Com tanta coisa acontecendo em um lugar só, dar um tempo para aliviar o estresse se faz necessário. E com certeza relaxar a mente tendo a vista de um dos vales da Lapa, que fica atrás da sacada dos fundos da residência, é muito melhor. Surgiu, então, a ideia de transformar o espaço de aproximadamente 100m², utilizado durante a semana também como estacionamento, em outro empreendimento: A Sacada, espaço voltado para o social e anfitrião de churrascos e festas de fim de semana.

“A gente já fazia uns eventos entre a gente. Churrascos, reuniões de amigos para beber no final de tarde, comemorar um projeto que a gente ganhou, enfim, qualquer coisa. E isso começou a crescer. É um espaço bem agradável, totalmente outdoor e bem diferente dos lugares que a gente está acostumado a ver aqui em São Paulo. E ainda tem essa vista que você está vendo”, diz Prado, mostrando a bela vista que eles desfrutam todos os dias.

Para muitos, um empreendimento tão rico culturalmente poderia ser considerado uma obra fechada que não deve ser mexida. Mas ideias nascem, vivem e podem mudar. E assim é o Coletivo. Uma ideia que não tem fim, não tem gessos e nem barreiras que o limitem. Até agora, o coração mandou e continuará mandando no rumo dos projetos. Não entendam mal. Segundo o empresário, tudo tem seu ciclo, assim como a própria agência pode ter o seu. “Não sei se é pela idade, se é pelo momento de vida que a gente tem, mas o que entra aqui é o que faz bater mais forte o coração. Tem que ter a ver com o que a gente se conecta, com o que a gente gosta, com o nosso dia a dia, porque se não, não faz sentido. Essa dinâmica não é engessada”, acrescenta Marcelo.

O que se leva ao sair do Coletivo é inspiração. O espírito empreendedor e criativo da equipe é tão forte, que cativa quem conhece. E eles estão de braços abertos para receber novas pessoas, seja para um projeto um café, um curso ou para alugar uma das oito baias de co-working presentes no local. De qualquer forma, o coletivo será uma experiência memorável.

Crédito: Gabriel Bordin
Crédito: Gabriel Bordin

Gabriel Bordin

Surfista de feriado e aficionado por motos. Jornalista porque acredita que é a melhor forma de se dissipar uma ideia e lifestyle. Guarda um amor incondicional por fotografia e produção de vídeos, acreditando que cada pequeno detalhe capturado é responsável pela composição do significado final de uma obra.