Design

O sonho do incorporador

Descubra quem está abalando o status quo com um projeto arquitetônico que define o setor na Espanha

por Athena Advisers 1 Fev 2018 11:34

Abalando o status quo para incorporadores, a abordagem da Solo House em relação a imóveis já fez o projeto espanhol atingir o status de culto global, com cobertura em publicações como Wallpaper, Apartamento, The Guardian e Openhouse. Com apenas 2 das 15 casas lançadas no mercado imobiliário global, é o tipo de exposição com a qual a maioria dos incorporadores apenas sonha. Conversamos com o empreendedor Christian Bourdais sobre a canalização de um histórico em produção de arte para redefinir o papel da arquitetura na incorporação imobiliária.

O que o inspirou a criar as Solo Houses?
Eu e minha mulher dirigimos uma empresa de produção de arte na França chamada Agence Eva Albarran, o que significa que temos uma relação muito próxima com os principais artistas franceses e internacionais. Há 7 anos decidimos focar no apoio a arquitetos e orientá-los a ir um pouco além em suas criações. Imaginamos um coletivo de arquitetos no qual eu sou o curador, um lugar onde a abordagem em relação à criação de imóveis fosse diferente.

Como vocês fizeram essa abordagem?
Começamos convidando 1, 2, 3, 4 arquitetos inspiradores a criar, dando a eles carta branca para imaginar o que uma casa contemporânea poderia ser atualmente. Agora, temos 13 projetos em andamento e dois já concluídos – um deles, de um escritório chileno, o Pezo von Ellrichshausen Architects, foi vendido, e o outro, a Solo House de um escritório belga, a Office KQVDS, está no mercado. Cada propriedade é uma tipologia completamente diferente de arquitetura. Não são apenas esculturas extravagantes, mas lugares incríveis para se viver. Eles questionam e redefinem a forma como os seres humanos vivem.

Qual foi o seu processo de escolha dos terrenos?
A Solo House está situada em um lindo terreno nas montanhas, a duas horas de Barcelona, na região de Matarraña, a 30 km da praia. Ao nordeste do Parque Natural de Els Port, está localizada entre Barcelona, ​​Valencia e Zaragoza e rodeada por cem hectares de natureza intocada, onde você se sente totalmente “solo” – solitário e isolado como por mágica, desconectado da turbulência diária. Não há nada para se fazer lá, então foi muito importante para nós criar um destino. Com 15 casas, você é parte de algo.

E como você escolhe com que arquitetos trabalhar?
É um processo semelhante escolher com que artistas trabalhar. Talvez haja 50 arquitetos de destaque no mundo com os quais você adoraria trabalhar, mas eu escolho aqueles que entrarão para a história da arquitetura. Pode ter um arquiteto ou artista que seja muito popular na época e que eu sei que venderia bem, mas cujo trabalho eu não aprecio, então eu não escolheria trabalhar com ele. Nosso foco é construir a melhor coleção de arquitetura de todos os tempos, trabalhando com os principais talentos emergentes do mundo.

O significa na prática dar a eles carta branca?
Eu escolho o terreno para cada arquiteto e eles não têm qualquer restrição, a não ser um orçamento definido, e eles levam o tempo que for preciso para trabalhar em seu projeto. É um processo longo, um pouco mais longo que um empreendimento normal, em torno de 16 meses desde a concepção até a conclusão.

Como um empreendimento imobiliário como este influencia o setor?
Quando a coleção estiver completa, será a definição de arquitetura moderna no mundo. Na verdade, já é o caso. Recentemente, uma escola de Oslo trouxe seus alunos para visitar o projeto, já que eles estão projetando sua própria Solo House. Isso agora faz parte do currículo, o que mostra como o projeto está influenciando o setor em geral.

De que modo a abordagem da Solo House é única?
A forma como abordamos é o oposto da maioria das incorporações imobiliárias, onde a visão e a criatividade do arquiteto costumam ser tolhidas pelas especificações do incorporador. Se você olhar para a incorporação imobiliária atualmente, ela não está indo na direção certa. Com a Solo House, eu coloco o arquiteto no centro do processo.

Por que isso é importante?
O objetivo da Solo House é ilustrar uma versão contemporânea de como se viver hoje. Demos aos arquitetos liberdade total e apoio, e o resultado? Temos uma obra-prima. Isso demostra como as coisas podem ser feitas de uma maneira muito diferente.

Qual foi o maior desafio do projeto?
Agora deixamos nossa marca na cena arquitetônica internacional e ela é vista como importante. O desafio agora é vender todas as casas e atender às expectativas. No momento, temos duas casas prontas, a primeira foi vendida em 2 horas e a segunda apenas recentemente foi colocada no mercado. As próximas 5 já possuem licença de construção e é isso que nos concentraremos em vender.

Quem você vê como dono de uma Solo House?
A Solo House atrai pessoas que querem fazer parte de algo importante na arquitetura. O imóveis já são muito alugados e estão totalmente lotados de abril a outubro. Mas, além da rentabilidade alta, é também uma forma de fazer parte desta aventura na arquitetura contemporânea. Imagine todos esses arquitetos… daqui a 10 ou 15 anos, alguns deles serão ganhadores do prêmio Pulitzer, então é parte do jogo para escolher quem apoiar e os valores de que imóveis irão disparar.

Que tipo de experiência os proprietários podem esperar?
É uma experiência total baseada em um hotel projetado pelo arquiteto chileno Smiljan Radic. A última parte do projeto se destaca como o catalisador de toda a atividade do local. Será tanto um ótimo lugar para ficar, pertencente à coleção de Solo Houses, como um espaço central para os serviços e atividades das casas, transformando as quinze casas do projeto nas mais espetaculares suítes hoteleiras do mundo. O arquiteto paisagístico Bas Smets e o curador internacional Hans-Ulrich Obrist (o curador da Serpentine Gallery) estão projetando a navegação paisagística, para que a caminhada de uma casa para a outra seja uma experiência única.

Qual foi a maior surpresa do projeto?
A mais recente é que acabou de ser publicado um artigo que se refere ao projeto como fundamental para colocar esta região relativamente desconhecida da Espanha no mapa. Quando se constrói casas, não é comum ter essa visibilidade.

Onde nos inscrevemos?

A Solo Office já está concluída e atualmente está à venda por 1.8 milhão de euros. Temos outras 4 casas em construção à venda: SOLO MOS, SOLO JOHNSTONMARKLEE, SOLO BAROZZI VEIGA, SOLO FUJUMOTO, que variam entre 1.6 milhão e 2 milhões de euros. Saiba mais em http://solo-houses.com/en

A equipe dos sonhos do incorporador:
Sou Fujimoto, Johnston Marklee, Pezo Von Elrichshausen, Christ & Gantenbein, Kersten Geers and David Van Severen (Office KGDVS), Didier Faustino, Bijoy Jain (Studio Mumbai), Anne Holtrop, Barozzi Veiga, Rintala Eggerston, Michael Meredith and Hilary Sample (MOS), Go Hasegawa, Kuehn Malvezzi, Tatiana Bilbao, Makoto Takei e Chie Nabeshima (TNA), Smiljan Radic, Bas Smets

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Athena Advisers

Investimento, propriedades e lifestyle. A Athena Advisers é uma consultoria boutique especializada em propriedades high-end em Lisboa, Barcelona, Côte d’Azur, Alpes, Paris e Londres. A agência foi uma das primeiras a fincar bandeira na capital portuguesa prevendo o boom imobiliário que faz da cidade o novo eldorado do real estate internacional.