Design

“O mundo do design está com a cabeça mais aberta”

Cristina Morozzi, diretora do Instituto Marangoni, vem a São Paulo falar de tendências para o design

19 Mai 2016 17:52

Aconteceu na última quarta-feira, 18, uma palestra com Cristina Morozzi em São Paulo. A italiana é diretora e curadora do Instituto Marangoni, uma das instituições de ensino voltadas ao design mais importantes de toda a Europa. Ela falou sobre as novas tendências de design de interiores para um auditório lotado na Escola Panamericana de Artes.

Após fazer um apanhado dos principais salões de móveis e design realizados este ano em Milão, Morozzi conversou com a Carbono Uomo sobre o atual momento da decoração. “Eu penso que o mundo do design está com uma cabeça mais aberta. Não há mais aquele rigor de antes. Agora, ele também é mais eclético. Então, tudo é possível. Você pode ter ideias, invenções, mas obviamente precisa de um bom senso estético.”

Uma das principais tendências apresentadas por Cristina Morozzi foi a mistura de ambientes clássicos e modernos. Outra, o uso de papeis de parede como forma de compôr salas e outros cômodos da casa. “Juntar os universo moderno e o clássico na decoração não é fácil. Mas se você quiser, é possível. Antes, isso seria uma espécie de escândalo. Se eu considerasse, alguns anos atrás, decorar as paredes de uma casa inteiramente com papeis de parede, isso seria um escândalo. Agora, é uma tendência.”

A italiana não acredita que o minimalismo estético esteja morto, mas que o estilo já não tem a mesma força de antes. “O minimalismo era tido como o essencial do design contemporâneo. Hoje, o design pode ser decorado, cheio de cores, ou até mesmo kitsch se você quiser.”

Portanto, diz Morozzi, hoje a tendência é a mistura. “É como a moda. Antes, havia o período do clássico, do branco, das cores. Hoje, você pode ser colorido, utilizar preto, e tudo isso junto. Acredito que seja o mesmo com o design.”
A italiana ainda aponta para um caráter global na arte do design. “Por causa da internet, quanto mais nos tornamos globais, mais voltamos ao local. Porque queremos preservar nosso DNA. Antes você não se preocupava com isso. Hoje você quer voltar para sua origem, mesmo vendendo em todos os países pela internet. Você pode ser brasileiro mesmo sendo global. Eu posso ser mediterrânea e global. Ao mesmo tempo que tento entender todas as culturas, vou promover minha origem mediterrânea.”

Design na era digital

Para Morozzi, a internet tem contribuído para esta abertura no mundo do design. Ela explica que as pessoas podem selecionar o que quiserem por conta própria, sem ficarem na mão dos distribuidores. “Antes era necessário confiar em alguém ou em alguma marca. Agora, com a internet, posso selecionar o que eu quiser. Isso faz com que o design fique nas mãos dos consumidores. Por isso, hoje o produto tem o seu próprio valor, e não o valor agregado de um posicionamento estratégico das marcas.”

Com a rede mundial de computadores, o papel dos pequenos artistas – ou “artesãos”, como ela chama – também foi valorizado. “O artista segue sua criação até o final. Você não trabalha para criar a identidade de alguém. Para mim, hoje vivemos uma situação de opostos. Estamos na era digital, dizemos que somos imateriais. Sim, mas não só isso. Nós queremos aquilo que é material. Queremos usar aquelas coisas. Com o artesão, hoje ele quer terminar o processo, e não parar em determinado momento do projeto.”

Ainda falando sobre o mundo digital, não é incomum que fãs de design vejam móveis e objetos de decoração onde há algum uso de tecnologia. Durante as quase duas horas da apresentação de Morozzi, nem ao menos um objeto mostrado tinha algum traço tecnológico visível. A curadora do Marangoni acredita que esta não será uma tendência nem no futuro. “Hoje, a tecnologia está presente por trás de muitos objetos. No começo, muita gente a estava utilizando para mostrá-la funcionando em um caráter estético. Hoje, a tecnologia deixou de ser um ponto estético para tornar-se uma ferramenta que você usa na criação. Ela não importa mais, eu não preciso mostrá-la. Eu a utilizo para melhorar o processo, criar algo incrível, extraordinário.”