Design

Ilha mais remota do mundo passará por modernização

Estúdio britânico de arquitetura ganha concurso para levar Tristão da Cunha ao futuro

11 Out 2016 11:13
Tristão da Cunha e seu vulcão ativo vistos da costa

Considerada a ilha mais remota do mundo, Tristão da Cunha abriu um concurso mundial para eleger um escritório de arquitetura cujo projeto de remodernização do local fosse o melhor possível. O título ficou com a Brock Carmichael Architects, do Reino Unido.

Localizada no sul do Oceano Atlântico, no meio do caminho entre Montevidéu e a Cidade do Cabo – mais ou menos em uma linha reta – a ilha de Tristão da Cunha é um território ultramarino britânico, de população que não ultrapassa 300 pessoas. O vilarejo dali foi fundado em 1810, em uma área de 207 km². Uma reportagem publicada no Fast Co. Design relata ainda que apenas oito barcos visitam Tristão da Cunha por ano, e que a ilha vive da pesca de lagostas.

Todos os participantes do concurso para remodelar Tristão da Cunha nunca haviam visitado a ilha. Para Martin Watson, da Brock Carmichael, o caminho para o desenvolvimento da ilha parte justamente em oferecer oportunidades de expandir a comunidade dali através de diversificação das atividades econômicas.

Senso de comunidade

Como todo o território da ilha é de posse da própria comunidade, seus 266 habitantes plantam seus próprios alimentos. Os arquitetos planejam aumentar o uso de energias renováveis – como painéis solares, fazendas de captação eólica e incineradores de dejetos orgânicos. Watson explicou que “ao invés de introduzir tecnologia alienígena, é melhor levar a tecnologia que já existe e ir melhorando ela aos poucos.”

O sentimento de comunidade é tão intrínseco, que uma lei imposta pelo fundador de Tristão da Cunha, William Glass, divide todos os lucros da ilha igualmente entre seus moradores. Desde 1810, nenhum estrangeiro pode comprar terra ou imóveis lá, sendo tudo passado de geração em geração. Pensando nisso, a Brock Carmichael vai criar novas áreas comunitárias de pesquisa de tecnologias e materiais, incentivando os moradores a construírem o futuro da ilha durante e após a implementação do projeto, que começa em 2017.