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Gilberto Elkis renova jardim do Matarazzo

Paisagista responsável pelo jardim da Prefeitura de SP fala sobre o projeto e sobre a cidade

por Artur Tavares 22 Mar 2017 18:23

O renomado paisagista Gilberto Elkis recebeu das mãos do novo prefeito de São Paulo, João Doria, uma missão árdua: renovar o novo quintal do empresário que se tornou político. Desde meados de março ele trabalha incessantemente para renovar o jardim na cobertura do Edifício Matarazzo, construído nos anos 1930, atual sede do governo municipal. Ali residem 280 espécies diferentes de árvores, um patrimônio tombado catalogado ao longo dos anos.

“O jardim era cuidado por um jardineiro que morreu em 1996. Ao longo dos anos, ele foi plantando espécies a esmo. Hoje, existe uma porção de plantas, árvores, palmeiras, chega a ser o Jardim Suspenso da Babilônia. Tem muita porcaria e muita coisa boa”, explica Elkis. “Nós vamos começar com uma limpeza, deixar o que é legal. Hoje está tudo sujo, disperso, sem unidade. Para deixar o aspecto mais bonito, vamos trocar o piso, fazer os acessos de cadeirante, valorizar o que está lá.”

O maior desafio para Elkis não será o paisagismo – tocado por dez jardineiros – e sim a troca de piso da cobertura do edifício. Elevado, foi feito a partir de uma técnica bastante antiquada, explica Elkis. Haverá um trabalho de engenharia, que tornará o piso mais leve, interferindo menos nas fundações do Matarazzo. O projeto todo funciona a toque de caixa: “Com o João, tudo é para ontem. Tive uma reunião com ele na quinta-feira, 9 de março, e no dia 14 a equipe já começou a trabalhar.”

O paisagista conta ainda que Doria não pensa apenas no cidadão paulistano e no turista como a reforma do jardim do Matarazzo. “É bastante interessante para o prefeito receber seus convidados em um jardim bonito. Quem chega de helicóptero e para no heliponto do Matarazzo tem no jardim o primeiro contato com o prédio. Como o próprio João diz, ‘se a casa do prefeito não está arrumada, quem dirá o resto’.”

Contratado pela iniciativa privada, Elkis ainda fará outros dois projetos em praças públicas paulistanas, sendo uma delas na Vila Madalena. São hotéis, empórios farmacêuticos e outras empresas do ramo de serviços que cuidarão dos espaços públicos daqui em diante. “Vou refazer paisagismo, limpeza, mobiliário e tudo o que diz respeito para tornar a praça em um ponto de convivência social. São projetos maiores que o Matarazzo, que acontecem ainda este ano. Outros projetos ainda podem surgir.”

Problemas de São Paulo
Aproveitamos o bate-papo com Gilberto Elkis para falar de outras questões que envolvem os espaços públicos paulistanos. Ele deu opiniões sobre elas:

Revitalização do Centro
“Eu colocaria mais segurança em todo o Centro. O turismo é importante, mas não somente do estrangeiro, como do próprio paulistano e do brasileiro de outras partes do País. O Centro sempre foi muito atraente para os turistas. A vida noturna também poderia ser mais explorada, porque é uma região repleta de estacionamentos.”

O que fazer com o Minhocão
“Para mim, a opção de demolir o Minhocão é a última possível. O Elevado já faz parte da cidade de São Paulo. Poderiam fazer um jardim suspenso, ou mantê-lo como está, porque ele tira um tráfego enorme das ruas abaixo. Antes de pensar em desativá-lo, precisam ser criadas vias alternativas. Eu não faria nada, manteria como uma via expressa e revitalizaria toda a área de baixo, que está degradada.”

Manutenção dos parques
“Acredito que privatizar parques seja uma ideia fantástica. Sou a favor. São Paulo é uma cidade muito grande. Deixar a prefeitura para cuidar dela e dos interesses da população é algo muito árduo. Tanto o Villa-Lobos quanto o Ibirapuera são parques bem formados, com estrutura bastante relevante. Acredito que eles precisam oferecer mais serviços de gastronomia e bares. Sem dúvida, serem mais explorados a fim de trazer mais conteúdo, eventos, shows. A iniciativa privada agiria com mais foco.”

Programa Cidade Linda
“Não dá pra confundir graffitti e pixação. O graffitti de um artista plástico é uma arte. Já sujeira, as pessoas escreverem palavrões, particularidades de partidos, isso tem que ser eliminado. Ninguém tem o direito de sair pintando a cidade sem um critério. Amo arte, sou a favor dela, mas acho que tudo tem seu lugar. O viaduto não é um lugar de pixação, porque a arquitetura dele por si só, como a de edifícios, já pode ser considerada arte.”

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.