Design

Espírito Itinerante

A casa do fotógrafo Victor Affaro é cheia de achados garimpados nos quatro cantos do mundo

por Isabela Giugno 6 Out 2016 09:24

Visitar a casa de Victor Affaro e Lila Guimarães é não saber ao certo onde pousar o olhar. Localizada na Rua Fradique Coutinho, na Vila Madalena, em São Paulo, a morada é ocupada por pequenas surpresas que são desvendadas pouco a pouco. Há uma flecha da Amazônia no teto da sala, uma tesoura de metal comprada em Mianmar na parede de tijolinhos aparentes e uma vitrola garimpada em Nova York sobre a mesa do living. “Morei um ano em Londres e três em Nova York. Por isso, comprei muita coisa fora do Brasil”, diz Victor. Os carimbos no passaporte do fotógrafo são incontáveis, assim como os cliques feitos por ele em passagens por Peru, Vietnã, África do Sul, Tailândia, França e Uruguai, só para citar alguns destinos já explorados pelo paulistano.

Victor se mudou para a Fradique Coutinho há um ano e meio, quando o antigo espaço que sediava seu estúdio de fotografia fechou as portas. Decidiu unir o útil ao agradável e transformou o local em um misto de escritório e residência. A sala que fica logo na entrada, por exemplo, é o local onde ele clica retratos de personalidades como Wagner Moura, Alexandre Nero e Olivier Anquier. As câmeras fotográficas e os tripés do espaço dividem a cena com um saco de boxe e ganchos de escalada, esporte que pratica todos os dias. “Deixei quase toda a decoração para o Victor fazer, mas decidi trazer alguns itens que estavam no Rio de Janeiro para imprimir o meu toque no local. As almofadas estampadas da sala, por exemplo, eram da minha antiga casa”, diz Lila. Mas a grande bossa da decoração é que nada ali foi planejado. Lado a lado com os itens coletados em feiras, brechós e viagens, ficam mobiliários mais sofisticados como uma poltrona Charles Eames preta e enormes lustres da Bertolucci. Uma das paredes acomoda mais preciosidades: imagens clicadas por Lufe Gomes, fotógrafo e grande amigo do morador.

Quando não está viajando, o casal aproveita para ficar em casa e receber convidados para festas e jantares. “As visitas são frequentes e nossos amigos aparecem muitas vezes de surpresa”, conta o fotógrafo. Um dos ambientes prediletos de ambos é a sala de estar, outro espaço multifuncional do lar. A área é, ao mesmo tempo, um living e um camarim. Em uma extremidade do ambiente há uma mesa feita de madeira, mobiliário que, vez ou outra, acomoda as maquiagens usadas nas sessões de foto. Na parede, um espelho improvisado por ele arremata o décor. “Era da minha mãe e acrescentei algumas lâmpadas para iluminar o local.”

Desapegado, o paulistano é dono de um espírito quase nômade e revela que, apesar do carinho cultivado pela decoração da casa, abriria mão de tudo se fosse necessário. Há apenas três itens que ele guardaria: a vitrola comprada em Nova York, uma luminária vermelha – presente de um amigo – e uma fotografia que fez do Rio Solimões, na Amazônia. São exceções. “Se algum dia eu decidir viajar o mundo ou morar fora do Brasil, posso vender todos os meus objetos sem nenhum problema.” Não poderia ser diferente: Victor é um cidadão do mundo.

Texto originalmente publicado na revista Carbono Uomo n° 1

Isabela Giugno

Apaixonada por São Paulo, Caetano Veloso e boa comida, Isabela é formada em Jornalismo pela ESPM e já trabalhou nas redações da Folha de S.Paulo, da revista Wish Casa, e da Editora Carbono. Hoje, entre uma garfada e outra, edita a revista KAZA, na qual escreve sobre arquitetura, design e decoração, seus temas preferidos.