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Houssein Jarouche, sócio da Micasa, mantém galpão na Vila Moinho Velho, Zona Sul de São Paulo, com peças garimpadas nas melhores feiras de antiguidades do mundo

11 Jul 2017 10:31

Em um galpão na Vila Moinho Velho, em São Paulo, o empresário Houssein Jarouche mantém milhares de peças de mobiliário vintage. Um freezer da Kibon da década de 1980, fliperama, bancada de madeira, escrivaninha, sofás do século 18, placas metálicas, bikes vintage com seus faróis originais, fornos industriais, trailer, luminárias, pendentes e holofotes de ferro oxidado, espelhos, um Fiat 147, armários, carteiras escolares e poltronas Club Chair, entre muitos outros itens, estão muito bem acomodados no mais novo espaço acoplado ao centro de distribuição da Micasa. Houssein não tem pressa para definir o que fazer com todas essas peças, mas uma de suas intenções é que elas façam parte, deem vida a um hotel que ele pretende abrir no Centro de São Paulo. O empresário ainda não achou o prédio ideal, mas a concepção está martelando sua cabeça há um tempo.

“Sou meticuloso, perfeccionista. Assim que encontrar o imóvel certo, um edifício com relevância para a cidade, com as características que imagino, vou investir”, diz ele. Por enquanto, os milhares de objetos estão ali, ocupando o espaço anexo à construção onde funciona o centro de distribuição da Micasa, loja que criou em 1998 e desde 2004 ocupa a esquina das ruas Estados Unidos e Atlântica, nos Jardins, num belo projeto traçado pelo escritório Triptyque. A Micasa sempre trouxe para o Brasil o melhor do design internacional. No seu catálogo, Vitra, Jasper Morrison, Moroso, Jean Prouvé e Cappellini. Um arquiteto ou amante de design é capaz de andar pela loja reconhecendo as peças, e seus autores, em segundos. A conexão, essencialmente, é com o refinamento italiano, milanês. Já o acervo do galpão na Vila Moinho mostra um universo completamente diferente, e, por que não, complementar. É impossível saber quem desenhou qualquer um dos objetos vintage dali. A conexão é com a história, com o passado, com o antigo, com o gosto pelo gasto.

A construção fica numa via periférica da capital. Embora afastados dos Jardins e longe dos olhos dos seus exigentes clientes, os galpões foram projetados com o mesmo cuidado. É comovente ver, em meio a uma rua semiabandonada, o carinho com que Houssein idealizou, e realizou, tudo naquele prédio: do refeitório dos funcionários oficina que, entre outras funções, restaura seus Fords antigos, raros e originais. Da pia dos banheiros à fachada, tudo é meticulosamente ordenado e inspira criatividade. O imóvel é destinado essencialmente aos seus funcionários. “Acho importante que todos que trabalham comigo respirem design. Os móveis aqui são originais, idênticos aos que eu e meus clientes compramos, não admito cópia. E me emociona ver que, aos poucos, nossa equipe começa a prestar atenção no acabamento, nos materiais, e, dentro das suas possibilidades, mudam completamente as suas residências.”

As peças foram garimpadas em mercados de pulga do Brooklyn, em Nova York, e em feiras como a Brimfield, em Massachussetts. Ela acontece semestralmente e reúne mais de seis mil expositores. “Fui apresentado à feira pelo Fabio Souza e pelo Alexandre Herchcovitch. Viajamos juntos até lá. A feira é tão rica, tão cheia de objetos lindos, repletos de vida, que trouxe contêineres. Mas não foquei em um mobiliário específico, uma década ou um estilo. Em comum, o que posso garantir é que aqui, reunidas, estão peças únicas, raras. Pode ser um sofá dos anos 1700 ou um fliperama de 1980”, diz ele. Para acomodá-las, Houssein comprou um galpão. Reformou, pintou, deixou o espaço com a sua cara. Até a fachada se modificou. O prédio, diferentemente dos seus pares da Vila Moinho, começa a influenciar a vizinhança. O galpão em frente também pintou suas paredes de branco e os ferros de vermelho, se tornando exatamente igual ao imóvel de Houssein. Sinceramente, encaro a inspiração com uma homenagem e acredito que seria muito melhor se todos os incorporadores paulistanos fizessem o mesmo com os trabalhos comerciais de arquitetos como Isay Weinfeld, Marcio Kogan, Tripytique, Nitsche, AR, FGMF e Metro, entre poucos outros. Talvez a cidade fosse mais bonita.