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Chão de Estrelas

Thiago Bernardes divide seu tempo entre Rio e São Paulo. Ele traça seus dez prédios prediletos na capital paulista

por Gabriel Bordin 24 Jul 2017 10:42

Terceira geração de uma linhagem de arquitetos importantes, Thiago Bernardes assina projetos como a expansão do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, o Edifício Aníbal e o Museu de Arte do Rio (MAR). Carioca, ele divide seu tempo entre Rio e São Paulo, onde mantém escritório. Pedimos para Thiago listar os dez edifícios da capital paulista que mais o emocionam. Confira.

SESC POMPEIA
Arquiteta: Lina Bo Bardi (1914-1992)
Inauguração: 1982 – Onde: R. Clélia, 93 – Pompeia
“Lina Bo Bardi fez uma intervenção perfeita no prédio que já existia para criar o Sesc Pompeia. Acho muito interessante essa mistura de uma arquitetura de galpão, muito simples, com uma intervenção contemporânea, perene e sutil ao mesmo tempo. É para sempre, não ficou datada, não é passageira, não é moda.”

MASP
Arquiteta: Lina Bo Bardi
Inauguração: 1947 – Onde: Av. Paulista, 1578 – Bela Vista
“O Masp é um prédio que ‘some’ na Avenida Paulista. É sensacional porque ele está solto do chão, com aquele vão maravilhoso. Isso é uma beleza. Sem entrar no mérito de como ele funciona estruturalmente. É como a marquise do Ibirapuera: vira um parque embaixo. É o máximo para a cidade e seus habitantes!”

FAU
Arquiteto: João Batista Vilanova Artigas (1915-1985)
Inauguração: 1969 – Onde: USP – R. do Lago, 876 – Butantã
“Sempre escuto profissionais dizendo que estudaram em escolas horrorosas, com péssima circulação. E na primeira vez que eu visitei a FAU, me emocionei. Ali você tem uma escola de arquitetura onde os alunos conseguem entender como a teoria é na prática, de fato. São uma maravilha aquelas rampas, como as pessoas se enxergam. É uma escola de arquitetura.”

TEATRO OFICINA
Arquiteta: Lina Bo Bardi
Inauguração: 1991 – Onde: R. Jaceguai, 520 – Bela Vista
“Foi muito chocante em todos os aspectos a primeira vez que pisei lá. Primeiro, a sensação da arquitetura ocupada e meio provisória. É um espaço de pensamento muito forte, muito intenso. Um exemplo de que a arquitetura, de uma maneira singela e simples, pode revolucionar tudo, até a maneira como os atores se apresentam.”

EDIFÍCIO LOUVEIRA
Arquiteto: João Batista Vilanova Artigas (1915-1985) e Carlos Cascaldi (1918-2010)
Inauguração: 1946 – Onde: Pça. Vilaboim, 144 – Pacaembu
“O Louveira me faz pensar que estou no Rio de Janeiro. Há um parque embaixo e sua estrutura, organização e circulação funcionam. Ele me dá uma sensação de liberdade. Tem uma coisa leve e doce. É uma beleza, um oásis na região de Higienópolis. Isso que me agrada muito – além dos materiais, da mistura de madeira e concreto.”

MUBE
Arquiteto: Paulo Mendes da Rocha (1928-)
Inauguração: 1995 – Onde: Av. Europa, 218 – Jardim Europa
“O Mube é quase uma não arquitetura. Você passa por ele sem perceber. É muito sério e cumpre uma função. Ao mesmo tempo que é um prédio e uma praça, não aparece. É bruto, mas discreto. Possui todas essas contradições que a arquitetura pode proporcionar. Com praticamente um material apenas, o concreto, ele gera várias sensações.”

GALERIA DO ROCK
Arquiteto: Alfredo Mathias (1906-1979)
Inauguração: 1963 – Onde: Av. São João, 439 – República
“Quando eu penso na capital paulista, lembro da Galeria do Rock. Tem essa história de induzir o público para dentro da construção, de trazer a cidade para ela. É um shopping mais aberto e é bem São Paulo. É o tipo de coisa que não tínhamos no Rio, algo mais ligado à cidade. Sempre me fascinou sua arquitetura, aquele negativo do prédio. É um buraco.”

FIESP
Arquiteto: Rino Levi Arquitetos Associados (construção) e Paulo Mendes da Rocha (reformulação)
Inauguração: 1979 – Onde: Al. Santos, 1336 – Jardim Paulista
“Muita gente tem críticas a este prédio, mas me agrada aquela coisa da ‘pele’. É uma forma que se destaca na Avenida Paulista. Desde garoto me sentia atraído. Não é uma construção agressiva, tem uma forma mais doce do que os outros ao lado. Sempre esteve na minha cabeça a imagem de uma construção que tinha um véu. Além disso, é interessante ver que a intervenção de Paulo Mendes, desde a época em que foi feita, resiste até hoje e funciona.”

PRAÇA DAS ARTES
Arquiteto: Brasil Arquitetura
Inauguração: 2012 – Onde: Av. São João, 281 – Centro
“É outro exemplo de arquitetura em um espaço urbano denso, que você consegue atravessar. Gosto quando o prédio não cria uma barreira física. O público pode passar por ele. Tem também a relação do antigo com o novo. A maioria dos edifícios de que falamos foram construídos antes dos anos 1970. Esta é uma construção que foi feita agora. A permeabilidade que ela tem, a relação do bruto, do concreto, mas, ao mesmo tempo, sendo mutável, me impressiona.”

Gabriel Bordin

Surfista de feriado e aficionado por motos. Jornalista porque acredita que é a melhor forma de se dissipar uma ideia e lifestyle. Guarda um amor incondicional por fotografia e produção de vídeos, acreditando que cada pequeno detalhe capturado é responsável pela composição do significado final de uma obra.