Design

Casa Cheia

O arquiteto paulistano Dado Castello Branco se destacou por construir casas para grandes famílias. A sua, no Jardim Paulistano, coloca à prova tudo o que ele oferece aos seus clientes

por Artur Tavares 11 Out 2017 12:59

O arquiteto paulistano Dado Castello Branco tem uma longa história de trabalho com a construção de lares amplos, dedicados a oferecer ambientes aconchegantes e acolhedores para a família. Com mais de 20 anos de profissão, é responsável por projetos de residências que são o sonho de todos aqueles que buscam viver em um oásis de tranquilidade em meio à rotina veloz das cidades. Sua casa no Jardim Paulistano não poderia ser diferente. É lá que ele vive com sua esposa, Carolina, seus cinco filhos e ainda três cães: um yorkshire de menor porte e dois terriers tão espaçosos quanto qualquer outro integrante da prole.

Um retrato da família em preto e branco tirado por Bob Wolfenson recebe junto com uma obra de Vik Muniz quem vai visitar Dado Castello Branco. Da entrada de toques artísticos se tem acesso a praticamente todas as áreas da casa. Uma escada leva ao andar dos quartos e um corredor liga a sala de estar da varanda ao quintal, escritório e cozinha gourmet. “Esta é uma casa de que gosto muito, e que é um reflexo do meu trabalho: ela tem informalidade e uma ampla integração dos ambientes. Eu gosto de como tudo participa. Da sala você vê a piscina, o ambiente do terraço, a minha cozinha. Nós costumamos ficar aqui, um no computador, outro vendo um filme, a outra fazendo lição”, conta o arquiteto. Conhecido por suas habilidades na culinária, ele destaca a importância que sua cozinha tem na integração familiar: “É um lugar onde nos encontramos muito. Ficam todos em torno do fogão e da bancada, fazemos o café da manhã juntos… Um prepara omelete, o outro a tapioca. É um ponto superagregador”.

Guilherme, o primeiro filho do arquiteto, nasceu pouco depois que Dado e Carolina voltaram da França, em 1994. Ele fazia uma especialização na École Speciale d’Architecture, após ter se formado na Belas Artes, em São Paulo. Por nove anos, Guilherme foi filho único. Valentina, Francisco e os gêmeos João e Sophia chegaram depois: “Fomos morar em Paris e quando voltei estava totalmente sem saber o que aconteceria com a minha vida. Não tínhamos grana, e eu optei por trabalhar sozinho”. Nascido em uma família de três irmãos, Dado sempre sonhou em ter ele próprio uma casa cheia. Mas como empreendedor em começo de carreira, não tinha condições de bancar uma família grande: “Aí começam a cair as fichas da vida e você percebe que não dá. O custo de vida de nós três já era muito alto, então passamos a segurar as decisões. O tempo foi passando e tudo deu certo, por isso depois vieram os outros filhos. E da quarta vez chegou um a mais”.

Dado diz gostar de mudar com certa frequência a decoração de sua casa. Também sempre fica atento em como melhorar a funcionalidade dos ambientes com o amadurecimento dos seus filhos: “Os espaços evoluem em casas de famílias muito grandes. Uma sala de brinquedos depois se transforma na ‘sala do adolescente’ que começa a namorar e não quer estar junto com todo mundo. Quando fiz o escritório de casa, pensei em mim, mas também em um lugar onde outra pessoa pudesse estar junto fazendo pesquisa, ou então assistindo a Netflix. No fim, eles dominaram meu escritório, já não o tenho mais”, diverte-se. Como João e Sophia têm apenas 9 anos, recebem atenção especial: “A área ali no quintal ainda é para crianças, onde ficam os brinquedos e os videogames, mas acho que naturalmente vai evoluir para outra coisa. Na minha casa hoje há uma demanda por sala de ginástica. Vou ter que ampliá-la, ou então reutilizar a sala das crianças”.

A interação da família não é exclusiva ao ambiente doméstico. Eles vão juntos a cinemas, ao teatro e aproveitam as férias para ir a museus. Como todos os cinco filhos ainda estudam – Guilherme está terminando arquitetura e já trabalha com o pai –, eles tiram os períodos de férias para viajar. Foram esquiar por dez dias no Carnaval e passaram dez dias de julho na badalada Saint Barth, no Caribe. Na arquitetura, Dado diz ter percebido uma mudança de comportamento nas famílias grandes que o procuram: “As pessoas passaram a investir mais em suas casas de fim de semana do que nos seus lares em São Paulo. Quem tem a chance de ter casa na praia ou no campo gosta de investir em coisas para elas, torná-las o local da realização do sonho. É onde ficam as obras de arte, aquele sofá caro, a cozinha gourmet, o paisagismo bacana. As casas de passeio são onde a família tem tempo para curtir e também receber os amigos, por isso se tornaram a prioridade”. No caso de Dado, a prioridade parece ainda ser a sala da família.

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.