Arte

Yuri Seródio tem exposição indiviual em São Paulo

Fotógrafo pernambucano mostra obras na Luis Maluf Art Gallery

por Artur Tavares 29 Jun 2017 12:01

O fotógrafo pernambucano Yuri Seródio abre no próximo dia 6, quinta-feira, a primeira exposição individual da carreira. Compassos Paralelos fica durante todo o mês de julho na Luis Maluf Art Gallery, em São Paulo.

As nove fotos apresentadas na Luis Maluf Art Gallery foram feitas em teatros, cinemas, palácios e bibliotecas, todas vazias. Filho de um engenheiro, Seródio decidiu não seguir a profissão do pai, se formando em Administração de Empresas, e se especializou em Gestão de Processos e Qualidade. Conciliou a fotografia e a arquitetura com uma crítica ao seu trabalho: “Essa ‘quase’ obsessão pela ordem em que sempre esteve na veia profissional acabou se transformando no meu estilo de trabalho.”

Entre os locais fotografados, o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), na região central de São Paulo, e o Cine São Luis, em Recife. De Barcelona, o artista retrata o Gran Teatre del Liceu; de Firenze, a Biblioteca Riccardiana; e da Alemanha, o Konzerthaus, em Berlim e o Marmorpalais, em Potsdan. Ele conta que, para a série Paralelos, buscou lugares que são carregados de histórias. E explica porque retratá-los vazios: “Desejo que as pessoas que apreciem a obra, ao observar o vazio, se transportem e se vejam inseridos nos locais dos retratos, criando assim a própria história e fazendo parte desse enredo. Gosto quando o espectador se transforma em parte do elemento da obra.”

O fotógrafo encontrou suas obras buscando patrimônios tombados ou, por vezes esquecidos, como ícones da arquitetura mundial. Os retratos são sempre bastante simétricos. Não é o único detalhe na composição de Seródio. “Para realizar as obras, não basta simplesmente encontrar um lugar simétrico. Eu preciso que aquilo me inspire, que algo inexplicável aconteça para que dali eu consiga extrair algo que encante. Tenho muito cuidado para que não se transforme em apenas uma foto de arquitetura, mas sim que aquela foto se transforme em uma de obra de arte, como uma pintura, e que quem a contemple sinta a mesma reação quando estou fazendo o registro.” Na rotina dele, as fotos são feitas apenas em um dia, mas houve casos em que Seródio visitou mais de uma vez a locação desejada.

Seródio diz gostar de suas exposições, diz que são maneiras para que as pessoas conheçam seu trabalho e também um pouco de sua personalidade. E se diz empolgado por protagonizar sua primeira individual: “A ansiedade aumenta, mas o prazer é ainda maior em saber que estarei de corpo inteiro, sendo o protagonista da cena, já que muitas vezes estou por trás dela, atrás das lentes no dia a dia do meu trabalho. Essa exposição também me faz acreditar que estou seguindo um caminho certo, mas sempre buscando fazer com que minha arte seja meu maior reconhecimento.”

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.

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