Arte

Scorsese acredita que o cinema está morrendo

Cineasta não vê relevância nos filmes que não dão margem para meditação sobre os temas

6 Jan 2017 13:50

Olhe um pouco para 2016. Você consegue dizer de cabeça quantos filmes foram lançados, quantas mega produções bateram recordes atrás de recordes de bilheteria? Você acreditaria se alguém te dissesse que o cinema está morrendo? Pois ele está. Pelo menos para o aclamado cineasta Martin Scorsese.

Segundo Scorsese, a proliferação de imagens e o excesso de confiança em técnicas superficiais estão fazendo os jovens se afastarem do cinema. Ele acredita que apenas poucos profissionais tem ambições de produzir filmes que necessitem entrega e grande carga de esforços. “O cinema deveria ser uma experiência que fizesse a diferença na sua vida, mas não é o que parece. Infelizmente, as últimas gerações nem sabem que ele importa tanto assim”, diz o cineasta.

Scorsese acredita que o futuro dos filmes está na liberdade que a tecnologia deu para que qualquer um consiga fazer um filme. Mas para que um novo cinema nasça, ele acredita que as novas gerações terão que ter o que dizer, e dizer isso através dos filmes.

Segundo Thelma Schoonmaker, editora de Scorsese desde Raging Bull, “Martin está cansado de ‘slam-bam-crash’ (onomatopeias utilizadas para simbolizar, principalmente, filmes de ação), que basicamente diz para a audiência o que pensar. Isso é o que ele realmente odeia.”

Thelma acrescenta que Scorsese quer que seu próximo filme, Silence, seja o oposto disso. “Ele deseja fazer um filme meditativo no meio desse mundo insano que vivemos hoje. Isso é incrivelmente destemido”, completa a editora.