Arte

Rio de Janeiro tem Bienal de Arte Digital

Primeira edição do evento acontece no Oi Futuro, em fevereiro

31 Jan 2018 13:35

Apreciar a intensa relação entre instrumentos musicais e os movimentos corporais é uma das propostas das performances da primeira edição da Bienal de Arte Digital, apresentada pelo Centro Cultural Oi Futuro, entre os dias 5 de fevereiro e 18 de março. Na primeira semana, o evento, que reúne as exposições de obras nacionais e internacionais com o tema linguagens híbridas, contará também com simpósio (nove debates) e quatro performances. “Corpus Nil”, obra performática do italiano Marco Donnarumma que mostra as transformações do corpo a partir de ritmos sonoros, será apresentada ao público na noite de quinta-feira, 8 de fevereiro. Antes dele, outros artistas brasileiros – André Damião, Duo Lumina e Bella – fazem suas intervenções no Centro Cultural Oi Futuro Flamengo.

Promovida pelo Festival de Arte Digital (FAD), a Bienal inicia o simpósio no dia 5, às 10h30 com palestra de abertura de Roberto Guimarães e Alberto Saraiva (Oi Futuro) e de Tadeus Mucelli (FAD/Bienal). Em seguida, palestra magna de Diana Domingues, pesquisadora pioneira no Brasil nos estudos da relação entre arte e ciência, às 10h30, abordando arte e tecnociência; Ivan Henriques, artista-cientista brasileiro radicado na Holanda, que às 14h30 vai detalhar a importância de seu mais recente experimento, “Caravel”, uma escultura cinética capaz de produzir energia a partir da fotossíntese de bactérias anaeróbicas; e 15h30, apresentação do INT – Instituto Nacional de Tecnologia com a presença de seu diretor. A escultura de Ivan Henriques, desenvolvida em parceria com a Universidade de Gante (Bélgica), permanecerá exposta na Bienal até 18 de março, junto às outras exposições selecionadas (confira a lista abaixo). À noite, é a vez da primeira performance do evento, com NARVA 2, do brasileiro André Damião, no átrio externo.

A primeira participação internacional no simpósio acontecerá no dia 6 de fevereiro, às 9h30. Trata-se da apresentação do cientista Joe Davis, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e do Departamento de Genética de Harvard, que mostrará sua visão sobre os artistas híbridos – artistas que tocam a arte e a ciência. Davis, de 66 anos, defende que o hibridismo dos artistas representa uma versão moderna dos antigos magos. Davis evita o argumento da arte versus a ciência, insistindo que ele fala ambas as línguas e não poderia separar as duas disciplinas em sua própria mente. Na sequência de Davis, Bernardo Carvalho, pesquisador da UFRJ, também abordará o tema no simpósio.

No mesmo dia, às 14h, será realizado mais um debate com a presença de Guto Nobrega, professor da UFRJ e doutor em Artes Interativas pela Universidade de Plymouth; o chileno Daniel Cruz, diretor do departamento de artes da Universidad de Chile; e o espanhol Solimán Lopez, mestre em arte e comunicação pelo Instituto de Artes Visuais de Jerez de la Frontera. À noite, no teatro, será realizada a performance do Duo Lumia, com interações entre música e imagens projetadas no palco.

Já no dia 7, quarta-feira, a Bienal contará com a performance da artista sonora carioca Bella. Denominada “UN”, sua apresentação explora imagem e som a partir de vibrações e iluminações promovidas na água. O italiano Marco Donnarumma encerra as performances na noite do dia 8. As apresentações no teatro têm entrada franca e para assistir basta retirar os ingressos com 30 minutos de antecedência na bilheteria do Oi Futuro.

Para participar do simpósio, o público precisa se inscrever, também gratuitamente, no endereço: www.bienalartedigital.com/inscricao-simposio. Ao longo da primeira semana do evento, o programa educativo também realizará oficinas relacionadas com as artes tecnológicas. As inscrições das oficinas devem ser feitas através do site no endereço: www.bienalartedigital.com/inscricao-oficina . As inscrições via site não garantem a participação. É preciso aguardar o contato por e-mail da produção confirmando a participação.

A proposta da Bienal é se tornar uma agenda nacional de arte digital e mostrar a cada dois anos obras e exposições que reflitam temas sociais importantes, evidenciando que a arte possibilita à tecnologia exibir suas experiências sociais. Após sua estreia no Rio, a Bienal segue para Belo Horizonte, onde a programação ocorrerá entre os dias 26 de março e 29 de abril no Conjunto Moderno Da Pampulha – Museu de Arte da Pampulha (MAP), com patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.

Os trabalhos escolhidos foram selecionados entre as mais de 600 inscrições realizadas via edital. A seleção foi realizada por um conselho curador formado por acadêmicos, artistas, pesquisadores e produtores culturais como Marina Gazire, Alexandre Milagres, Ivan Ramos, Gabriel Cevallos, Pablo Gobira, Tadeus Mucelli, Karla Danitza e demais membros da comissão organizadora. Foram cerca de 20 encontros entre os envolvidos e cerca de 400 horas dedicadas às análises.

Bienal de Arte Digital – 5 de fevereiro a 18 de março
Oi Futuro Flamengo – Rua 2 de Dezembro, 63 – Rio de Janeiro
(21) 3131-3060

Horário de Funcionamento
De terça a domingo, das 11h às 20h

Entra franca – Algumas atividades são gratuitas mediante inscrição prévia