Arte

Clássicos da noite

Por três décadas, a house music é um dos gêneros mais apreciados nas casas noturnas em todo o mundo. Esses são alguns de seus álbuns essenciais

8 Nov 2017 11:48

Por Ney Faustini

Falar em house music e sua história é deslocar-se no tempo por mais de três décadas, partindo dos clubs e DJs de Chicago à efervescência da club culture europeia. Portanto, uma lista com dez discos históricos de house acaba se tornando um apanhado bastante pessoal de alguns dos muitos momentos que construíram a história do estilo. Neste caso, o foco da lista é justamente uma mescla de discos favoritos, tanto para pista como para home listening, e que também me influenciaram como DJ, compreendendo dez anos de ouro do gênero, entre 1992 e 2002.

A. Mr. Fingers – Introduction
Natural de Chicago, Mr. Fingers, aka Larry Heard, é considerado um dos pioneiros do ”subgênero” deep house, bastante caracterizado por elementos do jazz e soul. Isso fica bastante claro neste que é considerado o seu primeiro álbum, Introduction, de 1992. Um prato cheio para quem gosta de piano, teclados, metais e vocais soul.

B. Deee-lite – World Clique
A banda formada por um DJ e produtor russo, outro japonês e uma vocalista norte-americana atingiu as paradas de sucesso em 1990 com Groove Is In The Heart. Quase 30 anos depois, este continua sendo um hit executado em pistas de dança de festas de house em galpões a casamentos, deixando à sua sombra outros dois ótimos singles do álbum: What is Love? e Power of Love.

C. Herbert – Around The House
Matthew Herbert é um dos mais talentosos e singulares produtores musicais ingleses. Em seu terceiro álbum, Around The House, de 1998, Herbert levava a produção de house music a outro nível, trabalhando samples de forma bastante criativa, e sendo jazzy, funky e glitchy ao mesmo tempo. A vocalista Dani Siciliano dá um toque especial nesta obra recheada de texturas.

D. Metro Area – Metro Area
O primeiro e único disco da dupla nova-iorquina Metro Area, de 2002, traz house funky e deep, com sonoridades que remetem ao electro-disco e o R&B. Uma combinação perfeita de sonoridades mais eletrônicas, de drum machines e sintetizadores, e orgânicas, de percussões, piano e riffs de guitarra. Faixas como Miura e Atmosphrique são dois bons exemplos disso.

E. Moodymann – Silentintroduction
Detroit é uma cidade mais reconhecida pelo techno e suas origens, mas também revelou muitos artistas que fizeram nome no house. Kenny Dixon Jr. é um deles, e Silentintroduction, de 1997, é sua primeira obra prima. Kenny é um mestre na arte de samplear discos antigos de jazz, funk e disco, como o uso de Chic -I Want Your Love em I Can’t Kick This Feelin When It Hits.

F. Masters at Work – The Album
A dupla formada por “Little” Louie Vega e Kenny “Dope” Gonzalez é reconhecidamente uma das mais influentes da história da house music, tendo lançado inúmeros singles e remixes oficiais para nomes como Michael Jackson, Chic e Madonna, entre tantos outros. The Album, lançado em 1993, traz influências de hip-hop, ragga e clássicos como o soulful I Can’t Get No Sleep.

G. Daft Punk – Homework
Os então jovens franceses Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo fizeram grande barulho com o primeiro álbum da dupla, Homework, em 1997. Around The World tocou em rádios mundo afora, teve clipe dirigido por Michel Gondry e virou um clássico. A sonoridade da dupla ainda era bem distinta da que seguiu nos anos seguintes, bem mais voltada ao mercado pop.

H. Armand Van Helden – 2 Future 4U
Armand Van Helden é um dos maiores nomes da house music nos EUA, tendo atravessado diversas fases criativas em mais de 25 anos de carreira. Em 1999, e antes de entrar em uma fase mais mainstream, lançou 2 Future 4U. O destaque do álbum é o hit clubber You Don’t Know Me, que sampleia o clássico disco Dance with You, de Carrie Lucas.

I. Theo Parrish – Parallel Dimensions
Segundo álbum desse nativo de Detroit, Parallel Dimensions, de 2000, traz diversas referências e climas jazzísticos em um disco minimalista e de faixas extensas. Deep house orgânico e imprevisível com percussões, pianos, vocais picotados, beats sujos e muita alma para ouvidos apurados. Destaque para a viagem jazzística e percussiva Dreamers Blues.

J. Pépé Bradock – Synthèse
O francês Pépé Bradock é mais um artista que bebe muito, e bem, do funk e da disco music em seu único LP, Synthèse, de 1998. E não à toa, já que tocou guitarra em bandas de jazz/funk ainda na sua adolescência. Neste álbum repleto de influências da música negra, Pépé vai do downtempo em Un Pépé dans la Dentelle às origens da house music de Chicago, em Atom Funk.