Arte

Cenas de um Rio olímpico

Do morro à orla, Giovanna Nucci retrata o suor da preparação para as Olimpíadas

por Artur Tavares 3 Ago 2016 11:27

Escolhida no ano de 2009 para ser a sede dos Jogos Olímpicos deste ano, a cidade do Rio de Janeiro passou os últimos sete anos sob promessas de transformação. Parte das comunidades carentes seriam pacificadas pela Polícia. Áreas urbanas inteiras sofreriam revitalizações – a exemplos da demolição do Elevado da Perimetral, da construção do Porto Maravilha e também das áreas destinadas à competição na região da Barra da Tijuca. Muitas outras coisas deveriam ter acontecido, mas não saíram como deviam: as linhas do Metrô, a limpeza da Baía da Guanabara, uma cidade livre da sensação da violência constante.

Com o fim dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, o Brasil recebeu oficialmente o título de nova sede em um evento realizado pelo Comitê Olímpico Internacional. Para comemorar, a Secretaria de Esporte e Lazer do estado do Rio de Janeiro convidou a fotógrafa catarinense Giovanna Nucci para produzir um livro com fotos de atletas praticando esportes na cidade. Eram amadores e profissionais, crianças e adultos, de áreas nobres e periféricas, alguns debilitados, muitos ocupando seus dias com o cuidado do corpo e da mente através de um cotidiano regrado de exercícios. O livro foi distribuído no evento do COI.

Em um encontro casual com a artista em São Paulo, Nucci revelou que passados quatro anos da publicação de Rio – Estado de Esporte, ela gostaria de mostrar ao público aquilo que ficou de fora do livro. Por ser uma publicação de caráter institucional, Rio – Estado de Esporte  mostrou apenas um lado dos atletas da cidade. Eles têm uniformes oficiais do estado, treinam em complexos novos. Os dias são sempre ensolarados, as piscinas são de um azul cristalino, as paisagens tradicionais da maravilhosa metrópole estampam transições.

A reportagem visitou o estúdio da fotógrafa e selecionou entre mais de cinco mil imagens algumas que mais cabem na nova proposta de Nucci, mescladas com retratos que estiveram presentes na edição final do livro. É um Rio de Janeiro ainda feliz, tomado pelas modalidades que serão disputadas neste ano. No entanto, as condições nem sempre são as mesmas. Há detalhes que saltam aos olhos: a construção de complexos esportivos dentro de áreas de baixa renda, o estímulo à prática esportiva infantil. A cruz pendurada no alto do morro, áreas com praticamente nenhum zoneamento urbano, os córregos a céu aberto, as panorâmicas da favela, cenas de um cotidiano que pouco mudou entre 2012 e 2016. Nucci guardava um trabalho riquíssimo, que você confere com exclusividade abaixo.

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.

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