Arte

Antônio Bokel tem individual na Galeria Aura

Artista apresenta 20 obras em novo espaço de arte paulistano

21 Ago 2017 10:16

O trabalho de Antônio Bokel transita, há mais de 15 anos, entre a linguagem urbana dos lambe-lambes, das pichações e dos grafites à colagem, à fotografia, à escultura e às telas. Na ponte-área Rio-SP, desde fevereiro deste ano, Bokel lançou seu livro “Ver” durante a SP-Arte. O livro faz um panorama de sua trajetória e sua produção. Agora, ele abre sua nova exposição, “Tudo que está coberto”, no dia 26 de agosto, na Galeria Aura Arte, na Vila Madalena, com curadoria de Paulo Gallina.

A exposição conta com 20 obras, sendo 17 pinturas e três esculturas em concreto e bronze. A ideia para a individual surgiu durante uma caminhada com Paulo Gallina, por meio da observação, ao longo do percurso, de objetos ocultos por outras superfícies – tecidos, lonas, entre outros. “Tudo o que está coberto me inspira”, exclamou Bokel na ocasião.

A partir daí, o que já era latente nos trabalhos anteriores do artista, por meio da pintura, ganha nova passagem para a forma, incluindo os suportes de escultura e fotografia. Na exposição individual da Galeria Aura Arte, por exemplo, as 17 pinturas revelam a preocupação com o caráter gestual, como se cada linha, movimento e cor se preocupassem com o registro do ocorrido, e não com a “imagem em si”.

Um dos destaques é o conjunto de pinturas intitulado RIR (2017), no qual Bokel conclama o observador a uma experiência. As telas de linho e algodão sobrepõem a gestualidade livre das linhas e formas à dureza da geometria por negrume: ao contrário da matemática analítica, como forma mental de se abordar o mundo, a RIR (2017) revela outro caminho: ser explorada enquanto momento fora do tempo – sem passado e sem futuro – como matéria posta à vista enquanto ocorrência. Outras pinturas, como Amilcar descalço (2017) e Frete (2017), redimensionam o discurso visual do artista para o interesse por rastros e vestígios, como o retângulo amarelo em Frete (2017), que sugere uma superfície que havia sido completamente acobertada por uma camada de tinta azul.

Esse fetiche – ou erotismo da plasticidade – do cobrir e do descobrir, do revelar e do esconder, diz respeito à linguagem visual adotada nas pinturas, mas também está presente nas três esculturas e na única fotografia que compõem “Tudo que está coberto”. Nas esculturas, tecidos sustentam e cobrem estruturas pesadas de cimento e, também, revelam e escondem objetos cobertos. Em obras como O que está coberto (2017, Bronze), Rolling (2017, Bronze) e Sustentável leveza (2017, Concreto e bronze), há a mesma investigação pelo inesperado jogo entre o desvelar e o ocultar; as esculturas ganham forçam na dialética entre o peso e a leveza.

Inspirada nos tecidos que cobriam os corpos nas estatuárias renascentistas, Bokel continua o exercício iniciado em exposições anteriores, com o uso do concreto e do bronze; a diferença para essa individual reside na fundição dos tecidos em bronze, que sugere a aparência de leveza num diálogo com um material bruto como o concreto. “Corpos cobertos que podem esconder ou revelar, tanto nas pinturas quanto na escultura. A pintura cobre a superfície deixando rastros e camadas sobrepostas, mas sempre deixando uma pista do suporte, como um fetiche”, finaliza Antônio Bokel.