Arte

Anri Sala ganha exposição no IMS

Obras inéditas do albanês estarão na mostra paulistana

12 Dez 2017 13:06

A exposição Anri Sala: o momento presente, que abrirá no dia 12 de dezembro, às 18h, no IMS Paulista, é a segunda apresentação ampla do artista albanês Anri Sala no Brasil. Trata-se de um projeto que compreende duas exposições no Instituto Moreira Salles. A primeira delas aconteceu na sede do IMS do Rio de Janeiro, em 2016. A segunda etapa ocupará dois andares do IMS Paulista e apresentará obras ainda inéditas no país. Por ocasião da abertura, no dia 12, às 19h, acontece no cineteatro do IMS uma conversa entre o artista e Heloisa Espada, curadora da mostra. O evento é gratuito e aberto ao público geral.

Na etapa paulista, Anri Sala: o momento presente reunirá trabalhos recentes, sobretudo videoinstalações sonoras, tais como The Present Moment (2014), Long Sorrow (2005), Answer Me (2008), Le Clash (2010) e Tlatelolco Clash (2011). A mostra explicita a dimensão política e ao mesmo tempo sensível da obra de Sala. Por um lado, as obras propõem uma avaliação crítica do mundo contemporâneo; por outro, impactam a sensibilidade do espectador por meio do som. Para a curadora, “ao justapor situações pessoais, históricas e políticas, os trabalhos em exibição propõem aos visitantes experiências nada apaziguadoras”.

O grande destaque da exposição no IMS Paulista será a videoinstalação The Present Moment (in D) e The Present Moment (in B-flat) (2014), apresentada pela primeira vez no país, em que o artista reconstrói a composição Verklärte Nacht [Noite transfigurada], Op. 4, de Arnold Schönberg. Nessa e em outras obras, Sala explora o potencial da música de nos conectar de maneira intensa com o presente.

Outro destaque da mostra é a videoinstalação Làk-kat 3.0 (Brazilian Portuguese/Portuguese/Angolan Portuguese) (2016), uma nova versão do vídeo de Làk-kat, filmado em 2009, no Senegal, desenvolvida especialmente para a exibição no Brasil. A obra é composta por três telas mostrando a mesma cena de um diálogo em uólofe (língua original da região onde hoje fica o Senegal) e francês, sendo que cada uma das telas apresenta legendas em português enfocando diferenças entre expressões idiomáticas típicas do Brasil, de Portugal e de Angola. Além de abordar relações de poder por meio da impossibilidade de se traduzir algumas palavras em uólofe, a obra lança um olhar para o passado colonial do Brasil e suas raízes africanas. Para realizar a nova versão brasileira, o artista trabalhou em colaboração com a escritora brasileira Noemi Jaffe, o angolano Ondjaki e o português José Luís Peixoto.

12 de dezembro de 2017
As videoinstalações The Present Moment (in D) e The Present Moment (in B-flat) (2014), a série de fotografias Untitled (Corner) (2004) e as instalações Moth in B-Flat (2015) e Moth in D (2015) serão exibidas a partir de 12 de dezembro na Galeria 1 do IMS Paulista. O filme 1395 Days without Red (2011) será apresentado a partir da mesma data, todos os dias, às 12h30, no cinema do IMS.

24 de janeiro de 2018
As obras Answer Me (2008), Le Clash (2010), Tlatelolco Clash (2011), Long Sorrow (2005), Jemeel Moondoc Responding to His Own Performance in Long Sorrow (2006) e Làk-kat 3.0 (Brazilian Portuguese/Portuguese/Angolan Portuguese) (2016) estarão na Galeria 2 a partir de 24 de janeiro de 2018.

Acompanha a mostra um catálogo com textos inéditos de Heloisa Espada, Moacir dos Anjos e Natalie Bell, além da tradução de um artigo de Jacques Rancière. Com projeto gráfico do escritório de design Bloco Gráfico, a publicação recebeu o Prêmio Aloísio Magalhães para melhor projeto gráfico da Biblioteca Nacional e foi escolhido pelo American Institute of Graphic Arts como um dos 50 melhores livros de 2016 no prêmio 50 Books | 50 Covers.